Mirelle Pinheiro

Raspadinha do Crime: a aposta do CV que recrutou influencers

O CV chegou a criar um manual interno com regras para a prestação de contas e repasse dos lucros

atualizado

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Raspadinha do Crime: saiba como o CV lavava milhões em 30 cidades
1 de 1 Raspadinha do Crime: saiba como o CV lavava milhões em 30 cidades - Foto: PCMT/Divulgação

A Polícia Civil de Mato Grosso desarticulou um esquema milionário de jogos de azar operado por integrantes do Comando Vermelho (CV).

Batizada de Operação Raspadinha do Crime, a ação revelou que o grupo usava influenciadores digitais, comerciantes e transportadoras para vender raspadinhas ilegais em mais de 20 cidades do estado.

Segundo a investigação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), mais de 80% dos lucros eram destinados ao financiamento das atividades da facção, desde compra de armas até pagamento de “soldados” e “irmãos” da organização.

A estrutura criminosa funcionava como uma empresa. Cada cidade tinha um núcleo regional, liderado por um “irmão da facção”, responsável por distribuir as raspadinhas aos pontos de venda, bares, mercados e distribuidoras.

Os comerciantes recebiam 10% de comissão, os distribuidores ficavam com outros 10%, e 80% do lucro seguiam para contas “laranjas” controladas pelo núcleo financeiro da facção.

As raspadinhas, vendidas por R$ 5, prometiam prêmios de até R$ 50 mil. Mas, segundo a polícia, nenhum bilhete premiado ultrapassava R$ 100.

O pagamento era feito por QR Code, direcionando os supostos ganhadores a um número de WhatsApp, onde o grupo fingia realizar o resgate do prêmio.

Influenciadores na linha de frente

A “Raspa Brasil” foi lançada oficialmente em março de 2025, com um perfil no Instagram criado exclusivamente para promover o jogo.

Influenciadores, inclusive menores de idade, foram recrutados para divulgar vídeos mostrando “prêmios” falsos e estimular as vendas.

Uma jovem influencer chegou a se apresentar como “representante oficial” do projeto, gravando vídeos em que associava sua imagem à marca para dar aparência de legalidade à operação.

O delegado responsável pela investigação afirmou que a estratégia foi planejada para “reduzir a percepção de ilicitude e normalizar o vínculo com a facção criminosa”.

Distribuição e intimidação

As raspadinhas eram enviadas por transportadoras comuns, com notas de carga falsas para disfarçar o conteúdo dos pacotes.

Comerciantes que se recusavam a vender o produto eram ameaçados pelos “irmãos” da facção, que acionavam o setor de “disciplina” do grupo.

A facção chegou a criar um manual interno com regras para a prestação de contas e repasse dos lucros, garantindo que o dinheiro sujo voltasse ao caixa central da organização.

A operação foi deflagrada simultaneamente em várias cidades, e as investigações continuam para identificar influenciadores e empresários que deram sustentação à rede criminosa.

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