
Mirelle PinheiroColunas

Quem é o paquistanês líder da rota ilegal de migrantes preso no DF
Segundo a PF, Rahman liderava uma rede que prometia uma “rota segura” até os Estados Unidos. O preço variava entre US$ 4 mil e US$ 11 mil
atualizado
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A prisão do paquistanês Sami ur Rahman (foto em destaque), 41 anos, em Samambaia (DF), nesta quarta-feira (19/11), realizada pela Polícia Federal (PF) descortinou o histórico de um personagem que, mesmo condenado anteriormente por tráfico de pessoas e corrupção, continuou a liderar um dos esquemas mais lucrativos e perigosos do país para levar estrangeiros do Sul da Ásia até a fronteira dos Estados Unidos.
Rahman já era conhecido das autoridades brasileiras. A coluna apurou que ele já foi denunciado por envolvimento com tráfico de pessoas e corrupção.
A ação resultou em uma pena três anos e três meses, convertida em penas restritivas de direitos. Mesmo com a sentença definitiva e as limitações impostas pela Justiça, Rahman não se afastou do crime.
Pelo contrário, a investigação da PF aponta que ele aproveitou a liberdade para reorganizar e expandir o esquema, assumindo a posição central na logística, captação de clientes, negociação de valores e movimentação financeira internacional.
Promessa de futuro, viagem de risco
Segundo a PF, Rahman liderava uma rede que prometia uma “rota segura” até os Estados Unidos. O preço variava entre US$ 4 mil e US$ 11 mil por pessoa, cerca de R$ 20 mil a R$ 57 mil. A maior parte das vítimas vinha do Paquistão e Afeganistão.
O Brasil era usado como porta de entrada estratégica. Ao chegar, os migrantes eram orientados a solicitar refúgio, o que lhes permitia permanecer temporariamente no país.
Em seguida, eram encaminhados a uma rota terrestre e marítima que passava por países como Peru, Equador e México, até chegar à fronteira norte-americana. Apesar do nome, a rota estava longe de ser segura, envolvia riscos extremos, violência, extorsão e abandono em áreas remotas.
Exploração
As vítimas, geralmente em situação de extrema fragilidade, pagavam tudo o que tinham, e o que não tinham, na esperança de uma vida melhor.
A quadrilha explorava cada etapa dessa expectativa. Além do valor da rota, Rahman e parceiros lucravam com venda de documentos falsos e orientações pagas em plataformas digitais, transformando a migração em um negócio multifacetado e cruel.
Dinheiro e os bens bloqueados
A PF estima que o grupo tenha movimentado pelo menos US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5,94 milhões) nos últimos cinco anos, valor que não inclui lucros paralelos.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens do grupo até o limite de R$ 5,94 milhões, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e criptoativos.
