Mirelle Pinheiro

Professor é condenado por perseguir coordenador homossexual

O coordenador ficou afastado por problemas psiquiátricos causados pela perseguição. O professor foi condenado dois de reclusão

atualizado

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policial penal Imagem colorida mostra fachada do TJSP, prédio de estilo clássico, em dia de céu claro
1 de 1 policial penal Imagem colorida mostra fachada do TJSP, prédio de estilo clássico, em dia de céu claro - Foto: Getty Images

Um professor da rede municipal infantil de São Paulo foi condenado por homofobia pela 10ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por perseguir um colega de trabalho em razão de sua orientação sexual.

Ele recebeu sentença de dois anos e quatro meses de reclusão em regime inicial aberto, além do pagamento de 11 dias-multa.

Segundo o processo, o professor criou um grupo no WhatsApp com os pais de seus alunos, em que frequentemente insinuava que o coordenador da escola, que é homossexual, queria implantar uma suposta “ideologia de gênero”.

Segundo a Justiça, em uma das ocasiões, o réu compartilhou uma foto tirada do Instagram do coordenador, em que ele usava uma peruca rosa, depreciando a vítima.

O acusado também disse, no grupo, que o colega de trabalho queria alterar o Currículo da Cidade (documento municipal que dá as diretrizes para as atividades das escolas públicas) para implantar a suposta ideologia.

Conforme apontado pelo TJSP, com essas e outras suposições, o professor incitou o ódio ao colega, que chegou a sofrer denúncias de alguns pais na Diretoria de Ensino

O coordenador processou o réu. Em primeira instância, ele foi absolvido. A vítima e o Ministério Público recorreram da decisão.

No TJ-SP, os desembargadores analisaram que a materialidade do delito foi consolidada pelo boletim de ocorrência e pelos depoimentos das testemunhas ainda na primeira fase processual.

Ouvido novamente em juízo, o réu se defendeu dizendo que não é homofóbico e que só se posicionou contra a agenda do coordenador de implantar a suposta “ideologia de gênero”, com banheiros mistos e outras atividades.

Já o professor, também em depoimento, disse que nunca alterou ou pretendeu alterar qualquer item do currículo escolar, mesmo porque as diretrizes são feitas pela prefeitura.

Ele mencionou, ainda, que outros professores da escola temeram por sua integridade física, já que ele chegou a ficar afastado por problemas psiquiátricos causados pela perseguição.

Uma mãe de um aluno, em seu depoimento, confirmou a versão do coordenador. Ela disse que se lembra de ter ouvido o réu falar em uma reunião que era abertamente preconceituoso quanto à homossexualidade.

Para os desembargadores, os depoimentos comprovaram que o acusado ofendeu dolosamente a dignidade e o decoro do recorrente, utilizando-se de elementos referentes à sua orientação sexual.

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