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Mirelle Pinheiro

Preso no Galeão, operador do CV movimentou R$ 50 milhões em um ano.

Conhecido como "Ximba", o investigado foi preso na madrugada desta sexta (9/10) no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ao voltar da Europa

09/10/2026 08:25
Material cedido ao Metrópoles
Preso no Galeão, operador do CV movimentou R$ 50 milhões em um ano

Investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) apontam que Gabriel Maurício Soares Paes (foto em destaque), operador do Comando Vermelho (CV) conhecido como “Ximba”, preso em flagrante na madrugada desta sexta-feira (9/10), no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões no período de um ano, por meio de uma complexa rede de contas bancárias, laranjas e pessoas jurídicas.

A engrenagem teria sido utilizada para recepção, transferência, fragmentação e circulação de recursos provenientes de uma central de golpes financeiros vinculada ao Comando Vermelho (CV), a qual seria operada por Ximba.

Levantamentos da PCERJ apontam que a célula criminosa estaria inserida em uma estrutura subordinada às lideranças de Edgar Alves de Andrade, vulgo “Doca”, um dos principais chefes do CV, e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”. 

Ximba ainda mantinha atuação direta com Nikolas Fernandes Soares, o “Hurley”, preso durante a Megaoperação Contenção, deflagrada em 28 de outubro de 2025. Hurley era gerente do tráfico de drogas no Complexo da Penha e operador financeiro ligado a Doca.

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Tráfico e fraudes

As diligências revelaram que Ximba e Nikolas atuavam de forma coordenada na movimentação, pulverização e dissimulação de recursos ilícitos, inclusive valores oriundos do tráfico de drogas, utilizando, para isso, contas de laranjas, pessoas jurídicas e empresas com características de fachada sediadas em diferentes estados do país.

No caso de Ximba, os elementos mais recentes indicam que essa engrenagem financeira também estava associada à administração de uma estrutura voltada à aplicação sistemática de fraudes e golpes financeiros, cujos recursos eram posteriormente inseridos no circuito de movimentação e ocultação da organização criminosa.

Parte do mecanismo consistia em receber ou disponibilizar dinheiro em espécie — inclusive proveniente do tráfico de drogas — e realizar a correspondente compensação por meio de Pix, transferências bancárias e contas de laranjas ou empresas utilizadas para a circulação dos valores.

A atuação de Ximba foi aprofundada a partir da análise de dados telemáticos vinculados a Nikolas.

As conversas revelaram uma dinâmica habitual de transferências bancárias, utilização de contas e empresas de terceiros, saques, circulação de elevadas quantias e conversão de valores em espécie em transferências bancárias, evidenciando a integração entre a central de fraudes operada por Ximba e a estrutura financeira utilizada pelo CV para movimentar e dissimular dinheiro do crime.

O aprofundamento financeiro também revelou indícios de utilização de pessoas próximas a Ximba para recepção e circulação de recursos, inclusive sua companheira.

Relatórios de inteligência financeira identificaram fortes indícios de que contas vinculadas à mulher possam ter sido utilizadas como extensão da estrutura de movimentação financeira atribuída ao investigado, inclusive com recepção de valores de empresas com características de fachada localizadas em Rondônia.

A PCERJ destacou que a descoberta evidencia mais uma forma de exploração econômica da dominação territorial exercida pelo Comando Vermelho, demonstrando que o controle armado e fortificado de determinadas comunidades não se presta apenas à proteção das atividades tradicionais do tráfico de drogas, mas também à criação de um ambiente de segurança e impunidade para o desenvolvimento de estruturas paralelas de obtenção, circulação e lavagem de recursos ilícitos.