Mirelle Pinheiro

Policial “espião” alvo da PCDF perseguiu mulher de ex-ministro

O policial civil aposentado ocupava cargo comissionado na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb)

atualizado

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1 de 1 policial caesb - Foto: Reprodução / WEB

O policial aposentado Ailton Francisco Ferreira, um dos alvos da operação que investiga o possível acesso irregular a bancos de dados institucionais, já foi contratado para uma investigação particular envolvendo um ministro também aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O policial civil teria sido contratado, anos atrás, para levantar informações sobre a rotina da mulher do ex-ministro Admar Gonzaga.

Segundo depoimento prestado pelo policial aposentado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em Brasília, o objetivo era monitorar Élida Souza Matos durante um período em que o magistrado estaria ausente. A apuração teria ocorrido entre os dias 1º e 17 de julho de 2017. Na ocasião, Ailton afirmou que chegou a instalar um rastreador no carro de Élida.

O policial civil aposentado ocupava cargo comissionado na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

Operação Nexus Fractus

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na última segunda-feira (16/3), a Operação Nexus Fractus, que investiga o possível acesso irregular a bancos de dados institucionais para obtenção de informações sobre autoridades, empresários e cidadãos do DF.

A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), e cumpriu três mandados de busca e apreensão.Policial civil aposentado

Durante as diligências, os investigadores identificaram indícios de que um policial civil aposentado, atualmente ocupando cargo comissionado na Caesb, teria utilizado acessos institucionais para consultar informações sensíveis. Na casa dele, os investigadores apreenderam um cofre com cerca de R$15 mil em espécie.

De acordo com a investigação, o homem tinha acesso a bases de dados institucionais, inclusive a sistemas da própria PCDF, por meio de acordo de cooperação técnica.

Esses acessos teriam sido usados para consultar informações cadastrais de empresários, policiais, jornalistas, servidores públicos e funcionários de gabinetes de parlamentares do Legislativo distrital e federal, além de integrantes do Executivo local.

As consultas também teriam incluído familiares dessas autoridades e pessoas ligadas a elas.

Dados

A investigação aponta que os dados consultados podem ter sido utilizados para fins particulares, possivelmente em benefício de uma empresa privada vinculada ao próprio investigado.

Os mandados de busca têm como objetivo coletar novos elementos de prova, identificar a extensão dos acessos realizados e verificar o real objetivo do uso dessas informações.
A polícia também busca esclarecer se outras pessoas participaram do esquema.

Os envolvidos podem responder pelos crimes de violação de sigilo funcional qualificado e invasão de dispositivo informático qualificado.

PCDF afirmou que a operação reforça o compromisso da corporação com a proteção de dados institucionais e o combate ao uso indevido de informações públicas.

O nome da operação, Nexus Fractus, vem do latim e significa “conexão rompida”, referência à possível quebra de confiança no acesso e uso de dados restritos da administração pública.

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