Mirelle Pinheiro

Polícia Civil do Rio mira o coração financeiro do crime organizado

Secretário detalha ações que reduziram índices históricos e travam guerra à economia do crime

atualizado

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estrategias de combate da pcrj v3
1 de 1 estrategias de combate da pcrj v3 - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) tem intensificado ações em várias frentes para reduzir a criminalidade e enfraquecer financeiramente o crime organizado. Em entrevista exclusiva à coluna, o secretário Felipe Curi detalhou as estratégias adotadas para combater desde roubos de celulares, cabos de cobre, cargas e veículos, até facções criminosas e milícias que tentam expandir seus domínios e impor o terror nas comunidades.

“Estamos atuando em todas as vertentes, com inteligência e investigação”, afirmou Curi. Ele destacou que a atuação da polícia vai além de prender líderes de facções ou milicianos, focando a desarticulação da economia do crime, que alimenta a violência e a corrupção. “Não é só sobre prender o traficante A, B ou C. Nosso objetivo é descapitalizar a organização criminosa e atingir sua base financeira”, explicou.

Entre as ações que vêm apresentando resultados, destaca-se a Operação Rastreio, que tem como foco o roubo de celulares, crime que afeta milhares de cariocas e expõe dados pessoais e financeiros. Iniciada em maio, a ação já resultou em queda nos índices e se sobressaiu por megaoperações contra receptadores. Em uma delas, 102 pessoas foram presas e mais de 1,4 mil aparelhos foram recuperados.

Outros crimes que passaram a ser alvo direto da operação são o furto e a receptação de cabos de cobre, que causam prejuízos milionários e comprometem serviços essenciais, como internet, energia e transporte. A Operação Caminhos do Cobre desarticulou esquemas bilionários, com bloqueio de mais de R$ 200 milhões e grandes apreensões de material furtado, atingindo financeiramente as quadrilhas envolvidas.

No combate ao roubo de cargas e veículos, a Operação Torniquete, lançada em setembro de 2024, foi decisiva para reverter um cenário de alta criminalidade. A ação já prendeu mais de 540 pessoas e ajudou a reduzir o índice de roubo de veículos ao menor nível desde 1992. Para Curi, atacar a receptação é fundamental: “Sem receptadores, o roubo perde valor”, disse.

Enfrentamento às facções e milícias

As disputas violentas entre facções e milícias seguem como um dos maiores desafios da segurança pública no estado. Para conter o avanço do Comando Vermelho na zona oeste, a Polícia Civil deflagrou a Operação Contenção, que já resultou em apreensões significativas e no bloqueio de bens.

Em uma ação recente, um golpe financeiro de R$ 6 bilhões atingiu diretamente o PCC e o Comando Vermelho, mostrando a capacidade da polícia de chegar ao núcleo econômico das organizações criminosas.

Investimento

Para tornar as investigações mais eficientes, a Polícia Civil investiu mais de R$ 50 milhões em tecnologia, incluindo softwares de reconhecimento facial, análise de dados telemáticos e ferramentas avançadas para extração de informações de telefones.

Novas delegacias regionais especializadas também estão sendo criadas na Baixada Fluminense e em Niterói para integrar dados e acelerar o combate ao crime em todo o estado.

Felipe Curi reconhece que manter os índices de criminalidade controlados é o maior desafio, mas garante que o trabalho gera impacto direto nas facções.

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