PM que foi flagrado pela PF com R$ 4 milhões é denunciado por estupro.
Em depoimento, a vítima afirmou que teria sido violentada no dia 14 de setembro, enquanto dormia com o policial militar aposentado

O policial militar aposentado José Bertoldo Peres Júnior, abordado pela Polícia Federal (PF) com o empresário Luiz Brito após um saque de R$ 4 milhões, em Boa Vista (RR), está sendo investigado por estupro. A denúncia foi registrada na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no dia 18 de setembro por uma mulher que afirma ter sido violentada pelo militar durante uma viagem a Foz do Iguaçu (PR).
A coluna teve acesso à ocorrência. Em depoimento, a mulher, que mora no Sudoeste (DF) e será identificada na reportagem pelas iniciais I.C., relatou à PCDF que José manteve relações sexuais com ela sem seu consentimento. A violência teria ocorrido em 14 de setembro, enquanto ela dormia em um hotel em Foz do Iguaçu (PR), durante uma viagem que os dois fizeram como amigos.
De acordo com I.C., ela e o policial passaram a ter contato presencial em maio deste ano, quando ele teria contratado os serviços dela como profissional do sexo. Ela afirma que, apesar de trabalhar como garota de programa, viajou com José em 12 de setembro na condição de amiga.
No segundo dia no hotel, porém, ela teria acordado, por volta das 5h30, ao sentir dores nas partes íntimas. Aos policiais, a acompanhante relatou que, na noite anterior, havia ingerido grande quantidade de melatonina e estaria em sono profundo quando teria sido violentada.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroCom medo, I.C. contou o ocorrido a familiares, mas não confrontou José. “Fiquei muito nervosa, passei a tremer e chorar. A minha passagem de volta para Brasília estava no celular dele, minha hospedagem também, por isso hesitei em falar”, explicou em entrevista à coluna.
No dia seguinte, porém, por volta do mesmo horário, a mulher, que decidiu dormir em uma cama separada do militar, teria acordado com ele tentando tirar o lençol que a cobria. “Em nenhum momento da viagem ele demonstrou interesse em manter relações sexuais comigo. Parece que queria somente quando eu estivesse vulnerável”, relembrou.
O confronto
Depois do que ocorreu na manhã de terça (15), I.C. resolveu questionar José sobre o estupro. Ela usou o celular para gravar o diálogo.
“Na segunda-feira, 5 e pouco da manhã, você fez sexo comigo sem o meu consentimento, porque eu estava dormindo. Eu só vi que você fez sexo comigo quando você terminou porque estava me machucando”, disse I.C.
“Ah, entendi. Eu não sabia que ia ser assim, nessas condições. Eu achei que pelo menos, lógico que a gente não vai transar toda hora, todo dia, mas eu achei que pelo menos uma vez ou outra a gente ia ficar. De manhã, eu achei que você tava sonolenta e tal, mas eu achei que estava de boa”, afirmou o policial.
A vítima rebateu, dizendo que não estava sonolenta, mas dormindo profundamente. Ele então disse que I.C. estaria o acusando de algo que ele não faz, que achou que poderia e pediu desculpas.
“Eu espero que você tenha pelo menos colocado camisinha”, disse I.C. José então respondeu: “Eu coloquei.”
A reportagem tenta localizar a defesa do policial militar. O espaço segue aberto.
A apreensão de R$ 4 milhões
No dia 7 de setembro, a coluna noticiou a abordagem da Polícia Federal (PF) contra o policial militar e o empresário Luiz Brito. Os dois foram levados à sede da PF, que apura a origem e o destino do dinheiro.
A principal suspeita é de que o dinheiro seria destinado à campanha de uma deputada federal que disputa vaga ao Senado. Mas não foi divulgada confirmação de que o dinheiro seria efetivamente empregado para fins eleitorais.
Após ser levado à sede da PF, o empresário foi liberado. O policial, no entanto, acabou autuado em flagrante após os investigadores encontrarem uma arma de fogo.
Segundo as informações preliminares, ele não tinha autorização para portar o armamento. A arma também foi apreendida.





