O que sabe sobre caso do empresário e PM abordados pela PF com R$ 4 milhões
PF investiga origem e destino de dinheiro sacado por empresário em Roraima; uma das suspeitas é de que recursos poderiam financiar campanha

Um saque de R$ 4 milhões em espécie, uma movimentação coordenada para dividir o dinheiro, um empresário do setor da construção civil, um policial militar que fazia sua escolta e a suspeita de que os recursos poderiam ter como destino uma campanha eleitoral. Esses são os principais elementos do caso que entrou na mira da Polícia Federal (PF) em Roraima.
A investigação começou a ganhar contornos na última sexta-feira (4/9), quando o empresário Luiz Brito foi abordado após retirar a quantia milionária de uma instituição bancária em Boa Vista.
A PF agora tenta esclarecer a origem dos R$ 4 milhões e, principalmente, para onde o dinheiro seria levado. Uma das hipóteses preliminares investigadas é de que os recursos poderiam ser usados para financiar a campanha de uma deputada federal que concorre a uma cadeira no Senado.
A suspeita, entretanto, ainda está em apuração. Não há, até o momento, confirmação de que qualquer parcela dos R$ 4 milhões tenha sido entregue à parlamentar ou utilizada em sua campanha. O nome da deputada também não havia sido divulgado até a última atualização das informações obtidas pela coluna.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroO saque e a abordagem
A coluna apurou que Brito sacou os R$ 4 milhões e, após deixar o banco, teria agido de forma coordenada com seus seguranças diante da possibilidade de uma abordagem policial.
O dinheiro em espécie foi dividido entre uma mochila e outras embalagens. A movimentação é um dos pontos que deverão ser esclarecidos no decorrer da investigação.
A estratégia não evitou a abordagem. O empresário foi interceptado na companhia de José Bertoldo Peres Júnior, policial militar que fazia sua escolta.
Os dois foram levados à sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos.
O que o empresário disse
Ao ser questionado sobre o motivo de sacar uma quantia tão elevada em dinheiro vivo, Brito afirmou aos investigadores que os R$ 4 milhões seriam utilizados na compra e em investimentos em terrenos.
Brito é fundador e diretor-proprietário da LB Construções, empresa do setor de infraestrutura com atuação em Roraima, incluindo serviços de construção de estradas e terraplanagem. Ele possui formação como engenheiro de segurança do trabalho e pós-graduação em engenharia ambiental.
Suspeita de campanha ao Senado
Paralelamente à versão apresentada pelo empresário, os investigadores trabalham com a hipótese de uma possível destinação eleitoral dos R$ 4 milhões.
A apuração preliminar aponta para uma deputada federal que atualmente disputa uma vaga no Senado. A parlamentar, porém, não teve o nome revelado nas informações obtidas até agora.
Também não há confirmação de que ela soubesse da movimentação do dinheiro ou tivesse solicitado ou recebido os recursos.
PM fazia escolta
A abordagem também terminou com a autuação em flagrante de José Bertoldo Peres Júnior.
O policial militar estava acompanhando Brito e fazia a escolta do empresário quando foi abordado. Durante a ação, os agentes encontraram uma arma de fogo em poder dele.
Informações preliminares apontam que Bertoldo não possuía autorização para portar o armamento. A arma foi apreendida, e o militar foi conduzido para os procedimentos relativos ao flagrante.
O que falta esclarecer
A PF busca esclarecer a origem dos recursos, por que o montante foi sacado em espécie, por qual motivo o dinheiro foi posteriormente dividido entre diferentes volumes e se existe algum elemento que confirme a suspeita de destinação eleitoral.
Também deverá ser apurado o papel de cada pessoa envolvida na movimentação ocorrida depois do saque.





