Planilhas apontam que Jalser Renier pagaria R$ 4 milhões por 12 mil votos
Candidato a deputado estadual, Jalser foi preso pela segunda vez, sob suspeita de cometer crimes eleitorais, nesta quinta-feira (1º/10)

A coluna apurou que planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Filargíria, deflagrada contra o candidato a deputado estadual Jalser Renier (foto em destaque) em 24 de setembro, revelaram uma atuação coordenada para garantir a vitória dele e de sua esposa, Tatyanne Aguillera, conhecida como Dra. Taty, candidata a deputada federal, no pleito de 2026.
Jalser, que já havia sido preso naquela operação, voltou a ser levado à Superintendência da PF nesta quinta-feira (1º) durante a Operação Lemming. Desta vez, ele foi preso preventivamente.
Os documentos encontrados na residência do candidato durante a primeira operação continham nomes de pessoas identificadas como lideranças, coordenadores e referências, distribuídas por diversos bairros de Boa Vista e municípios do interior de Roraima (RR), acompanhados de quantitativos, valores financeiros e registros associados à rubrica “BU”.
A PF analisou seis conjuntos distintos de planilhas, que somam 12.175 registros na coluna “QTD” e R$ 4.228.100 nas respectivas colunas “Total”. Segundo a investigação, os dados correspondem à quantidade de eleitores que, conforme os registros apreendidos, seriam beneficiados por pagamentos identificados pela rubrica “BU”, além dos respectivos valores destinados.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroSegundo os investigadores, a estrutura seria usada para beneficiar a candidatura de Jalser a deputado estadual e também a candidatura da esposa dele, Tatyanne Aguilfera Padilha, a Dra. Taty (PSDB), que disputa uma vaga de deputada federal.
A operação cumpre seis mandados de busca e apreensão em Boa Vista, Cantá e Caracaraí, em Roraima. Também foram determinadas medidas cautelares contra os investigados, como a proibição de contato entre eles, a vedação de saques em espécie e o bloqueio de bens e valores de até R$ 4.228.100.
Entre os alvos das medidas estão pessoas apontadas como responsáveis pela coordenação do esquema:
- Itelvina da Costa Padilha – mãe de Jalser. Ela foi alvo de busca e apreensão;
- Rosilany Maria Marques Pereira Stefanello – coordenadora de campanha, vinculada a 1.046 eleitores e R$ 313,8 mil;
- Marcio Jose Bergmann – apontado como coordenador no Cantá, vinculado a 600 eleitores e R$ 180 mil;
- Daniel Cavalcante Rigo – coordenador em Caracaraí, vinculado a 500 eleitores e R$ 250 mil;
- Rosineide Araujo Xavier – coordenadora em Boa Vista, vinculada a 470 eleitores e R$ 94 mil;
- João dos Santos Moura – coordenador em Boa Vista, vinculado a 220 eleitores e R$ 66 mil.
A primeira prisão
A prisão desta quinta-feira ocorre uma semana após Jalser ser preso em flagrante pela PF, em 24 de setembro, também em Boa Vista, por suspeita de compra de votos.
Na ocasião, investigadores encontraram R$ 19,1 mil em dinheiro em um closet do candidato e planilhas relacionadas à campanha. Os registros indicavam pagamentos individuais de R$ 200 a R$ 500 por eleitor, identificados pela sigla “BU”, associada à expressão “boca de urna”.
Jalser passou uma noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). No dia seguinte, durante audiência de custódia, a prisão em flagrante foi homologada, mas ele acabou liberado mediante medidas cautelares e pagamento de R$ 20 mil de fiança.
O candidato é ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Ele foi cassado após ser acusado de mandar sequestrar uma jornalista em 2020. Em 2021, chegou a ser preso por esse caso.





