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Mirelle Pinheiro

PF investiga cerca de R$ 3,6 bilhões do Rio aplicados no Banco Master

As letras financeiras adquiridas pelo RioPrevidência funcionavam, na prática, como empréstimos feitos ao Banco Master

26/05/2026 07:39, atualizado 26/05/2026 11:32
Vinícius Schmidt/Metrópoles
cláudio castro

A Polícia Federal (PF) colocou sob investigação cerca de R$ 3,6 bilhões em aplicações feitas pelo governo Cláudio Castro no Banco Master, instituição financeira que entrou em colapso e acabou liquidada pelo Banco Central. A operação desta terça-feira (26/5), autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

No centro da apuração estão cerca de R$ 970 milhões investidos pelo RioPrevidência em letras financeiras emitidas pelo Banco Master e outros R$ 1,5 bilhão aplicados em fundos administrados pela instituição, entre outros aportes em recursos públicos ligados ao sistema previdenciário dos servidores estaduais.

A apuração mira decisões tomadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, durante a gestão de Cláudio Castro à frente do governo fluminense. Os policiais querem identificar quem autorizou os investimentos, quais análises técnicas embasaram as operações e se houve exposição irregular do patrimônio previdenciário a aplicações consideradas de alto risco.

Castro é alvo de buscas e apreensão. O advogado de Cláudio Castro, Carlo Luchione, disse que a defesa ainda não teve acesso às decisões, mas que o ex-governador acompanhava as buscas “com serenidade”.

Sem cobertura

As letras financeiras adquiridas pelo RioPrevidência funcionavam, na prática, como empréstimos feitos ao Banco Master em troca da promessa de rentabilidade futura. O problema, segundo a PF, é que os papéis não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo usado para proteger investidores em casos de quebra bancária.

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O ex-governador Claudio Castro  é alvo de nova operação da Polícia Federal
Operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
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Nesta terça-feira (26/5), policiais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio e no DF
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O ex-governador Claudio Castro  é alvo de nova operação da Polícia Federal
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O ex-governador Claudio Castro é alvo de nova operação da Polícia Federal

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Operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
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O Banco Master passou a enfrentar uma série de investigações federais relacionadas à sua estrutura financeira até ser liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a problemas de liquidez e suspeitas de violações às regras do sistema financeiro.

Batizada de Operação Barco de Papel, a ação da PF busca esclarecer se houve gestão temerária, favorecimento indevido ou possíveis irregularidades na destinação bilionária dos recursos públicos.

Segundo investigadores, o caso ganhou peso porque envolve dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. A suspeita é que o fundo previdenciário tenha concentrado valores elevados em ativos incompatíveis com o perfil de segurança exigido para esse tipo de patrimônio público.

Relatórios analisados pela PF indicam que o RioPrevidência manteve forte exposição ao Banco Master mesmo diante de alertas sobre os riscos da instituição financeira.

O RioPrevidência sustenta que as aplicações seguiram critérios legais e afirma que os recursos estão protegidos por mecanismos judiciais ligados à retenção de receitas de crédito consignado. A autarquia também argumenta que espera recuperar integralmente os valores investidos.

Apesar disso, a PF tenta reconstruir toda a cadeia de decisões envolvendo os aportes bilionários: quem sugeriu as operações, quem aprovou as aplicações e se pareceres técnicos ou alertas internos foram ignorados.

A nova operação aumenta a pressão sobre Cláudio Castro, que já havia sido alvo de outra investigação da PF relacionada ao caso Refit.