
Mirelle PinheiroColunas

“PF corta na própria carne”, diz Andrei após operação envolvendo policiais no caso Master
Declaração do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi feita à coluna nesta quinta (14/5), após operação que prendeu pai de Vorcaro
atualizado
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O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues (foto em destaque), afirmou nesta quinta-feira (14/5) à coluna que a corporação “não protege nem persegue” e que “corta na própria carne quando necessário”, após nova fase da Operação Compliance Zero atingir delegada da própria instituição, suspeita de atuar em favor do grupo investigado no caso Banco Master.
A declaração foi dada após a deflagração da sexta fase da Compliance Zero, que investiga esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, espionagem ilegal e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao grupo conhecido como “A Turma”.
“Como sempre tenho dito, a Polícia Federal trabalha de maneira técnica, imparcial e em busca da melhor instrução das suas investigações. Não protege, nem persegue, age com autonomia, e corta na própria carne quando necessário”, afirmou Andrei.
O diretor-geral acrescentou que a operação desta quinta “serve também para valorizar a quase totalidade dos policiais federais, que agem com correção e dedicação” e reafirmou que “não há hipótese de transigirmos com desvio de conduta em nossa Instituição”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento preventivo da delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva. Ela é suspeita, segundo as apurações policiais, de repassar informações sigilosas ao grupo investigado.
Além do afastamento da função pública, Mendonça determinou a apreensão do passaporte da delegada e proibiu que ela deixe o país.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Valéria teria acessado, sem justificativa funcional, um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da PF em São Paulo, apesar de estar lotada em Minas Gerais desde 2006 e não possuir qualquer atribuição relacionada ao procedimento.
De acordo com a representação policial, após acessar os autos, ela teria compartilhado informações detalhadas da investigação com Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como integrante do grupo ligado à família Vorcaro.
A PF afirma que o conteúdo compartilhado permitia identificar o objeto da investigação e os alvos efetivamente monitorados pela corporação.
Embora os investigadores não tenham localizado contato direto entre Valéria e Marilson, a PF sustenta que o marido dela, o policial federal aposentado Francisco José Pereira da Silva, teria atuado como intermediador para dificultar o rastreamento da atuação da delegada.
Os investigadores apontam suspeitas de violação de sigilo funcional, corrupção e organização criminosa.
A operação desta quinta também resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, ele exercia papel relevante dentro da estrutura investigada e continuou atuando para sustentar o grupo mesmo após as primeiras fases da Compliance Zero.
As investigações apontam que “A Turma” funcionava como uma estrutura paralela de proteção, monitoramento e intimidação voltada à defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro.
Conversas extraídas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno indicam, segundo a PF, que Henrique Vorcaro continuava ordenando serviços ilícitos, providenciando recursos financeiros e coordenando demandas do grupo mesmo após as primeiras prisões da operação.
A Polícia Federal afirma ainda que o grupo utilizava números estrangeiros, trocava constantemente de aparelhos telefônicos e mantinha pagamentos considerados vultosos para manter a estrutura funcionando.
O que diz a defesa da delegada?
A defesa da delegada da Polícia Federal (PF) Valéria Vieira Pereira da Silva negou qualquer participação dela em vazamento de informações sigilosas ligadas ao inquérito envolvendo a família do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em manifestação à imprensa na porta da Superintendência da PH na capital mineira, o advogado Bruno Correia Lemos, que representa a delegada e o marido dela, um escrivão da PF citado nas investigações, afirmou que a acusação “não prospera” porque ambos não estavam cadastrados no procedimento investigativo citado pela corporação.
Segundo ele, o sistema da Polícia Federal possui controle restrito de acesso por matrícula funcional. “Cada servidor possui uma matrícula e o acesso é restrito. Então, se o servidor não estiver cadastrado na operação, ele não consegue acessar o sistema com a matrícula dele”, afirmou.
A defesa informou também que já solicitou acesso integral aos autos da investigação e pretende apresentar pedido de modulação das medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
“A nossa esperança é que a apuração aconteça para demonstrar a inocência dos dois, que possuem uma história na PF”, afirmou o advogado.
