PF achou mensagens entre homem preso com R$ 4 milhões e marido de deputada
O empresário Luiz Brito teria enviado a Renildo Lima comprovante do provisionamento do saque de R$ 4 milhões dias antes da retirada

A coluna apurou que as investigações da Polícia Federal (PF) sobre os R$ 4 milhões apreendidos em setembro deste ano, em Boa Vista (RR), com o empresário Luiz Brito e o policial militar aposentado José Bertoldo Peres Júnior, identificaram trocas de mensagens suspeitas entre Brito e o empresário Renildo Lima, marido da deputada federal Helena da Asatur (PSD).
Nesse sábado (3/10), Renildo foi alvo da Operação Moriarty, deflagrada para apurar a origem e o destino do montante apreendido.
Em 28 de agosto deste ano, dias antes da apreensão, ocorrida em 4 de setembro, Renildo teria encaminhado ao empresário um vídeo relacionado à pesquisa eleitoral da candidatura de Helena, que concorre a uma vaga no Senado por Roraima (RR).
Luiz agradeceu a Renildo pelo compartilhamento do vídeo e afirmou que estaria “com a missão”. Em seguida, enviou ao marido da deputada o comprovante do provisionamento do saque bancário de R$ 4 milhões. Logo após o envio do documento, mensagens da conversa foram apagadas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroEm 4 de setembro, o empresário foi preso em flagrante junto ao policial militar, logo após realizar o saque em uma agência bancária localizada na capital roraimense.
A PF aponta que o comprovante não foi compartilhado em uma conversa empresarial, mas logo após um diálogo referente ao desempenho eleitoral da candidata e uma manifestação de Luiz sobre “estar na missão”.
Diante disso, há a suspeita de que o valor sacado por Luiz poderia, na verdade, ser destinado à campanha de Helena. A investigação ainda está em andamento.
Dinheiro na cueca
O nome de Renildo já esteve estampado na imprensa em 2024, após ele ser flagrado com dinheiro vivo escondido na cueca.
À época, em setembro daquele ano, investigadores da PF abordaram Renildo após ele realizar um saque no valor de R$ 500 mil. Durante a revista pessoal, os policiais perceberam que parte das notas havia sido escondida nas partes íntimas do homem.
Os indícios apontavam que o dinheiro serviria para financiar compra de votos. Naquele ano, ocorreram as eleições municipais em todo o país.
Operação Moriarty
A ação deflagrada pela PF neste sábado (3) cumpriu mandados de busca e apreensão. As medidas judiciais foram expedidas pelo Juízo Eleitoral das Garantias da 2ª Zona Eleitoral de Caracaraí (RR).
Segundo a PF, a investigação apura possível esquema de movimentação irregular de recursos financeiros em espécie, caracterizado pela realização de saques milionários, com indícios de vinculação à atividade eleitoral.
A análise preliminar dos elementos obtidos revelou indícios de movimentação de valores sem justificativa plausível e possível destinação relacionada a financiamento eleitoral irregular.
As diligências realizadas na Moriarty visam obter novos elementos de prova, esclarecer a origem e a destinação dos recursos movimentados e identificar eventuais outros envolvidos nas operações financeiras investigadas.











