"Os meninos": Vorcaro tinha rede de hackers para perseguir desafetos
Investigação da PF cita que estrutura montada por Vorcaro envolvia ataques cibernéticos e uso irregular de canais institucionais

Documentos da Polícia Federal (PF) apontam que Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário, apontado como braço direito de Daniel Vorcaro, coordenava não apenas a atuação do grupo “A Turma” — engrenagem paralela de intimidação e suposta ocultação patrimonial voltada aos interesses do Banco Master e do banqueiro —, mas também do grupo denominado “Os Meninos”, investigado por hackear desafetos de Vorcaro (foto em destaque).
Após a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, em 4 de março deste ano, a PF reuniu indícios de que David Henrique Alves lideraria o grupo de invasão digital. Os demais integrantes foram identificados como Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier.
De acordo com os levantamentos da PF, as ações envolveriam o uso de especialistas em ataques cibernéticos, além de ferramentas como robôs, técnicas de sobrecarga de tráfego (DDoS) e outras formas de interferência digital voltadas à desestabilização de páginas que publicavam conteúdo crítico ao banqueiro.
Ainda segundo a PF, há indícios de que o grupo teria recorrido a métodos de acesso indevido a contas e serviços digitais de terceiros, incluindo a entrada em ambientes de armazenamento em nuvem e o acesso a dados do iCloud.
Segundo a investigação, o grupo “Os Meninos” teria derrubado um perfil no Instagram que criticava um evento do Banco Master realizado em Londres, supostamente a partir de determinação atribuída a Daniel Vorcaro.
Além disso, conversas interceptadas pelos investigadores revelam que Vorcaro teria pedido a Sicário a derrubada de um perfil. Em uma das mensagens, ele teria afirmado: “Mas antes disso preciso saber quem fez. A pessoa criou isso e foi atrás da minha filha, você acredita nisso? Esse filha da puta quero achar nem que seja no inferno.”
A PF também identificou o uso irregular de portais de Law Enforcement Information Request, plataformas destinadas exclusivamente a solicitações legítimas de autoridades competentes, por meio de usuários institucionais, para obtenção de levantamentos cadastrais e indução de plataformas digitais à remoção de perfis, sob o pretexto de que tais contas estariam supostamente envolvidas em crimes graves, como pedofilia.
Os dados revelam ainda que, para conferir aparência de legitimidade às solicitações, teriam sido enviados ofícios supostamente assinados por servidores públicos.
Em um dos casos, teria sido utilizado um ofício supostamente emitido pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geoc), do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), como se se tratasse de uma solicitação legítima encaminhada à Meta.






