MPDFT investiga se Neymar e Virginia associavam Blaze à ideia de “renda extra”
A apuração faz parte do inquérito civil instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon)

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) abriu uma investigação para apurar se campanhas publicitárias da plataforma de apostas Blaze, feitas com celebridades e influenciadores digitais, como Neymar e Virginia, associavam os jogos online à ideia de “renda extra”.
A apuração faz parte do inquérito civil instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon), que pode resultar em uma ação por danos morais coletivos estimada em R$ 120 milhões.
Segundo documentos obtidos pela coluna, a Blaze, operada pela empresa Foggo Entertainment Ltda., terá de apresentar cópias dos contratos firmados com influenciadores e esclarecer as diretrizes de marketing adotadas nas campanhas.
Entre os pontos que chamaram a atenção dos promotores está justamente a eventual utilização da expressão “renda extra” para promover a plataforma.
Além da análise do conteúdo das campanhas, o Ministério Público quer entender como a empresa estruturou a divulgação dos serviços e se houve respeito às normas de proteção ao consumidor e às regras que disciplinam o setor de apostas de quota fixa no país.
A investigação teve origem em denúncias de consumidores e em um relatório técnico que apontou mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma. Entre as principais queixas estão relatos de bloqueio de contas, retenção de valores e dificuldades para sacar recursos.
Na portaria que instaurou o inquérito, a Promotoria destaca que a estratégia de marketing das empresas de apostas deve ser analisada à luz dos riscos de superendividamento e da ludopatia, transtorno associado ao vício em jogos. O órgão afirma que o tema extrapola interesses individuais e pode atingir a saúde pública e a ordem econômica.
Como parte das diligências, a Blaze também deverá informar quais mecanismos de jogo responsável oferece aos usuários, incluindo sistemas de autoexclusão, limites para apostas e ferramentas destinadas a impedir o acesso de pessoas que desejam deixar de jogar.
A Promotoria requisitou ainda informações à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sobre reclamações e eventuais processos administrativos já instaurados contra a empresa.
Com sede em Curaçau, a Blaze se tornou uma das principais plataformas de apostas do país após investir em campanhas de grande alcance nas redes sociais e na associação da marca a influenciadores e celebridades.
O Ministério Público ressalta que a investigação busca esclarecer a regularidade das práticas adotadas pela empresa e não representa, neste momento, conclusão sobre responsabilidade dos contratados para as ações de publicidade.




