Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

MP instaura inquérito para investigar queda de ponte no Acre

Investigação apura possíveis falhas na obra da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC), que desabou em junho

07/08/2026 15:34, atualizado 07/08/2026 15:35
Foto: Corpo de Bombeiros de Sena Madureira
imagem de ponte que desabou no acre

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou um inquérito civil para investigar as causas e as possíveis responsabilidades pelo desabamento de um trecho da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira (AC). A medida foi formalizada por meio de portaria e assinada pela Promotoria de Justiça Cível do município nessa quinta-feira (6/8).

A estrutura, inaugurada em dezembro de 2023 ao custo de R$ 36 milhões, desabou em 5 de junho deste ano e deixou ao menos quatro pessoas feridas.

A ponte havia sido interditada um dia antes do desabamento devido a problemas estruturais. Construída sobre o Rio Iaco, a estrutura tinha mais de 230 metros de extensão, duas pistas para veículos e fazia a ligação entre os distritos da cidade e o centro do município.

A investigação vai apurar indícios de irregularidades no planejamento, licenciamento, execução, fiscalização, monitoramento e manutenção da obra. O objetivo é identificar eventuais responsabilidades administrativas, civis e ambientais relacionadas ao desabamento da estrutura.

Segundo o documento obtido pela coluna, o colapso da ponte pode ter causado prejuízos ao patrimônio público, comprometido a segurança da população e provocado impactos ambientais.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro

O MP também cita a continuidade do processo erosivo nas margens do Rio Iaco, com risco de novos desabamentos em áreas próximas, sem que tenham sido adotadas medidas emergenciais de contenção.

A portaria destaca ainda que o fenômeno conhecido como “terras caídas” já era de conhecimento do Governo do Acre antes da execução da obra. Pois, segundo o órgão, estudos preliminares e projetos elaborados pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) apontavam a existência da erosão nas margens do rio.

A ponte foi construída pelo regime de contratação integrada, em que a empresa contratada é responsável tanto pela elaboração dos projetos quanto pela execução dos serviços. Apesar disso, o MP pretende verificar se houve falha no dever de fiscalização por parte do Estado.

O órgão também aponta uma divergência entre o Estado e a empresa executora, Cidade Ltda., sobre a responsabilidade pela documentação técnica da obra, que inclui projetos, diários de obra e medições.

Segundo a portaria, a falta dessa documentação dificulta a reconstrução da cronologia do empreendimento e a análise das circunstâncias que levaram ao desabamento.

Como parte das diligências, o promotor determinou a elaboração de um relatório técnico pelo Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MPAC para avaliar as causas do colapso e a eventual responsabilidade da construtora. Também foi solicitado ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) um parecer sobre a legalidade da contratação e sobre possível omissão do Estado na fiscalização da obra.

Além disso, a Polícia Civil deverá encaminhar ao MP, no prazo de 15 dias, o laudo pericial concluído ou um relatório preliminar sobre o caso. Conforme a portaria, os documentos poderão subsidiar uma eventual Ação Civil Pública para responsabilização dos envolvidos.