Moraes diz que crime organizado se infiltrou no poder público do RJ
Na decisão que mandou prender o presidente da Alerj, o ministro do STF destacou o envolvimento de TH Joias com a cúpula do Comando Vermelho

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, na decisão que mandou prender o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), que a organização criminosa investigada se infiltrou no poder público do Rio.
Moraes expôs a conclusão após citar as ações criminosas de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o então deputado conhecido como TH Joias, e a união dele a Bacellar para ludibriar a Polícia Federal (PF) antes da deflagração da Operação Zargun.
Para o ministro do STF, os fatos narrados não apenas confirmam o vazamento de informações sensíveis da ação policial que prendeu TH, como também demonstram a ativa e deliberada obstrução à Justiça e ocultação de provas promovidas por ele e seus associados.
“Tais elementos reforçam a periculosidade da organização criminosa investigada, sua profunda infiltração no poder público fluminense e a absoluta necessidade de aprofundamento das investigações para a interrupção das atividades delitivas e para a escorreita elucidação dos fatos”, declarou Moraes.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroO ministro disse, ainda, que “uma das principais características das organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, além do domínio territorial mediante uso da força, e da capacidade de corromper agentes públicos e políticos em escala, é a infiltração política que tais grupos alcançaram nos últimos anos, seja na esfera municipal, estadual e federal”.
As investigações da PF que culminaram na prisão de TH revelaram, também, que ele mantinha contato próximo com a cúpula do CV, inclusive com Edgard Alves Andrade, o Doca – criminoso apontado como a principal liderança do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha e em outras comunidades da zona oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento.
Presidente da Alerj preso
Rodrigo Bacellar foi preso preventivamente nesta quarta (3). O político é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun.
Os mandados — um de prisão preventiva, oito de busca e apreensão e um de intimação para medidas cautelares — foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e fazem parte das determinações da ADPF das Favelas (ADPF 635), que atribuiu à PF a responsabilidade de investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro.
Procurada pela coluna, a Alerj informou que “ainda não foi comunicada oficialmente sobre a operação ocorrida nesta manhã. Assim que tiver acesso a todas as informações, irá tomar as medidas cabíveis.”























