
Mirelle PinheiroColunas

Milícia e TCP são alvo de operação por monopólio de alimentos no RJ
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco)
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (3/6), operação para desarticular grupo criminoso formado por milicianos e integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) suspeito de impor monopólio ilegal no abastecimento de alimentos e submeter comerciantes a esquema de extorsão em áreas dominadas pelo crime organizado.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), que cumpre mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas zonas oeste e norte da capital fluminense.
Segundo as investigações, o grupo utilizava intimidação, ameaças e controle territorial para obrigar comerciantes a adquirir mercadorias exclusivamente de fornecedores ligados à milícia e ao TCP.
De acordo com a Polícia Civil, os comerciantes eram coagidos a comprar produtos em quantidades superiores às necessárias e por preços acima dos praticados no mercado. Quem se recusava a seguir as determinações do grupo estaria sujeito a represálias, prejuízos financeiros e até ao fechamento dos estabelecimentos.
As apurações apontam que o esquema atingia principalmente pequenos e médios comerciantes da Baixada Fluminense e da Zona Oeste do Rio de Janeiro, que acabavam dependentes da estrutura criminosa para manter os negócios funcionando.
Os investigadores identificaram ainda a existência de uma estrutura empresarial criada para conferir aparência de legalidade às atividades ilícitas. Segundo a polícia, empresas eram utilizadas para distribuir mercadorias e movimentar os recursos obtidos com o esquema.
Para os investigadores, a exploração econômica fazia parte de uma estratégia mais ampla de domínio territorial. Além do controle armado das regiões, organizações ligadas à milícia e ao tráfico buscariam ampliar sua influência sobre atividades comerciais legítimas, fortalecendo o poder financeiro e a capacidade de controle sobre moradores e empresários.