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Mirelle Pinheiro

"Altura do vão é 2,45m": mensagem cifrada colocou Wagner na mira da PF

Em uma das conversas de Jaques Wagner reveladas pela PF, a expressão foi interpretada como valor de imóvel de luxo em Salvador

18/06/2026 10:14
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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA)

Mensagens reveladas por investigação da Polícia Federal (PF) mostram que um apartamento de luxo, avaliado em R$ 2,45 milhões, estaria entre as vantagens oferecidas por investigados ligados ao Banco Master a Jaques Wagner (PT/BA), líder do governo no Senado. Na manhã desta quinta-feira (18/6), a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem Wagner como um dos alvos de mandado de busca e apreensão.

Esta fase da operação mira também pessoas físicas e jurídicas ligadas ao senador, ao ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, e a empresas que mantêm relação com o Banco Master e o Credcesta.

Em uma das conversas de Jaques Wagner interceptadas pela PF, a expressão “a altura do vão é 2,45m” foi interpretada pela autoridade policial como possível linguagem cifrada relacionada ao valor do imóvel de luxo, em Salvador (BA).

Conforme apontam os levantamentos, Jaques Wagner teria encaminhado a Augusto Lima dados do empreendimento Poème Horto e do corretor responsável pela venda.

Em seguida, ele teria acionado Valério Marega Júnior, da WNT Gestora, para tratar da operacionalização da aquisição do referido imóvel, que teria sido efetivada com o auxílio de Daniel Monteiro e David Lopes Monteiro. Daniel Monteiro seria homem de confiança de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Informações obtidas dão conta de que, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, as tratativas relacionadas ao imóvel não teriam sido interrompidas. Pelo contrário, teriam continuado por intermédio de Guilherme Henrique Sodré Martins, David e Daniel Monteiro, incluindo reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e envio de minutas contratuais.

O outro lado

A defesa de Augusto Nunes diz que considera “as diligências realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.

“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”.

Os outros investigados ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto