
Mirelle PinheiroColunas

“Líder espiritual”, Peixão proibiu crack em comunidade do RJ. Ouça
Imóveis de luxo do traficante, incluindo um resort de luxo, foram demolidos em operação policial deflagrada nesta terça-feira (11/3)
atualizado
Compartilhar notícia

Foragido da Justiça e apontado como um dos principais chefes do Terceiro Comando Puro (TCP), Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, adotou um novo perfil para manter o controle sobre o tráfico no Rio de Janeiro, conforme a coluna noticiou nesta terça-feira (11/3).
Além de comandar uma rede criminosa fortemente armada, Peixão se apresenta como “líder espiritual”, misturando discurso religioso e violência para consolidar seu domínio sobre o Complexo de Israel – nome dado à área que inclui Cidade Alta, Vigário Geral e Parada de Lucas.
Mensagens antigas do criminoso voltaram a circular nas redes sociais. Em um dos áudios, ele decreta: “A partir de agora e para sempre, a Cidade Alta é Terceiro Comando Puro, Bonde dos Taca Bala, o exército do Deus vivo lá de Israel.” Além disso, Peixão teria proibido a venda de crack na comunidade, justificando a decisão com um discurso “moralizante”.
Apesar da retórica religiosa, a Polícia Federal investiga torturas e execuções realizadas sob sua liderança, incluindo punições a moradores e rivais. A facção passou a adotar símbolos como a Estrela de Davi, associando sua identidade ao cristianismo evangélico e à volta de Cristo.
Operação
Nesta terça-feira (11/03), a Polícia Civil e a Polícia Militar deflagraram uma grande operação no Complexo de Israel, com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao traficante. A ação conta com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Comando de Operações Especiais (COE).
A investigação aponta que Peixão usava imóveis de alto padrão financiados com dinheiro ilícito como esconderijos e bases operacionais. Entre os alvos da operação estão:
• Um imóvel de luxo em Parada de Lucas, utilizado como centro de comando do TCP;
• Uma academia de musculação, onde criminosos da facção se reuniam;
• O chamado “resort de luxo”, um espaço com praia artificial e infraestrutura de alto padrão, construído ilegalmente em área de preservação ambiental.













