Mirelle Pinheiro

Traficante gospel, Peixão criou grupo armado que mata “em nome da fé”

A interpretação radical e distorcida da Bíblia utilizada pelo grupo tem levado à imposição de uma única fé na comunidade carioca

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Imagem colorida de Peixão - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de Peixão - Metrópoles - Foto: Reprodução

Álvaro Malaquias Santa Rosa (foto em destaque), mais conhecido como Peixão, deixou para trás o perfil clássico do chefe do tráfico para se apresentar como líder espiritual de uma facção armada no coração do Rio de Janeiro. Hoje foragido, ele comanda o Complexo de Israel, área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).

Peixão é investigado pela Polícia Federal por crimes brutais cometidos “em nome da fé”. Sob a fachada religiosa, torturas e execuções são realizadas contra adversários. O complexo, que inclui comunidades como Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta, se tornou uma fortaleza cercada por barricadas, controlada por criminosos fortemente armados, e marcada por símbolos religiosos ostensivos, incluindo a Estrela de Davi, símbolo judaico apropriado como expressão da fé evangélica na volta de Cristo.

Essa nova face do crime organizado levanta uma discussão inédita sobre terrorismo religioso no Brasil. Se capturado, Peixão poderá ser enquadrado na Lei Antiterrorismo (13.260/2016), cuja aplicação depende de provar que os atos criminosos têm a intenção explícita de provocar terror generalizado sob motivação religiosa.
Traficante gospel, Peixão criou grupo armado que mata “em nome da fé” - destaque galeria
5 imagens
Complexo de Israel
Peixão
O homem é um dos criminosos mais procurados do país
Peixão se diz evangélico
Peixão
1 de 5

Peixão

Reprodução
Complexo de Israel
2 de 5

Complexo de Israel

Reprodução/TV Globo
Peixão
3 de 5

Peixão

Reprodução
O homem é um dos criminosos mais procurados do país
4 de 5

O homem é um dos criminosos mais procurados do país

Reprodução
Peixão se diz evangélico
5 de 5

Peixão se diz evangélico

Polícia Civil RJ

A interpretação radical e distorcida da Bíblia utilizada pelo grupo tem levado à imposição de uma única fé, com restrições severas a outras práticas religiosas. A Polícia Federal vê nessas ações um claro indício de violência extremista. Isso torna possível uma inédita aplicação da legislação antiterrorismo em um contexto religioso no país, com penas que podem ultrapassar 30 anos de prisão.

Criado originalmente no final dos anos 1980 como uma dissidência violenta do Comando Vermelho, o Terceiro Comando deu origem ao TCP no início dos anos 2000. A transformação de parte da facção em “Soldados de Jesus” não reflete apenas uma mudança de imagem, mas uma estratégia perigosa de legitimação da violência através da religião.

Para especialistas em segurança pública, a linha que separa manifestações religiosas legítimas e atos terroristas baseados na fé é clara: o uso da religião como justificativa ou instrumento para promover a violência e o terror deve ser tratado como crime.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?