Mirelle Pinheiro

Homem mantém “negócio de família” de atestados falsos e é preso no Rio

O suspeito atuava a partir da Rocinha e teria assumido a atividade criminosa após a morte do próprio pai, de quem herdou o esquema

atualizado

metropoles.com

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Aline Massuca/Metrópoles
Ascom PCERJ
1 de 1 Ascom PCERJ - Foto: Aline Massuca/Metrópoles

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) prendeu um homem acusado de comandar um esquema de falsificação e venda de atestados médicos falsos que operava há pelo menos cinco anos no Rio de Janeiro. A prisão ocorreu no último sábado (17/1), mas a investigação foi concluída nesta sexta (23).

O suspeito atuava a partir da Rocinha, na Zona Sul, e teria assumido a atividade criminosa após a morte do próprio pai, de quem herdou o esquema.

A investigação foi conduzida por agentes da 25ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo) e teve início em 2024, após uma médica denunciar o uso indevido de seus dados profissionais em um atestado falso.

Na ocasião, ela foi procurada por uma empresa para confirmar a autenticidade do documento. O suspeito chegou a ser identificado, mas o pedido de prisão não foi deferido naquele momento.

No fim do ano passado, a médica voltou a ser informada de que seus dados estavam sendo usados de forma fraudulenta. Um novo registro foi feito, e os investigadores chegaram novamente ao mesmo homem, aprofundando a apuração.

Segundo o inquérito, os clientes do esquema podiam escolher o motivo do afastamento, o número de dias e até a data de validade do atestado. Os documentos eram negociados por aplicativos de mensagens, sem qualquer consulta médica. O pacote incluía receitas, carimbos e papéis timbrados falsificados de hospitais públicos e privados.

Os valores variavam conforme o tempo de afastamento: R$ 25 por um dia e R$ 75 por cinco dias

Durante as diligências, os policiais localizaram uma mulher que admitiu ter comprado um atestado falso. As conversas por celular apreendidas detalham toda a negociação e o funcionamento do esquema.

Um dos documentos obtidos pela polícia era idêntico ao modelo oficial utilizado pela Prefeitura do Rio e atribuía atendimento a um hospital da Zona Sul.

A investigação, no entanto, não encontrou indícios de participação dos hospitais, apontando que a falsificação dos papéis fazia parte exclusivamente da fraude conduzida pelo suspeito.

Chamado a prestar esclarecimentos, o homem compareceu à delegacia e acabou confessando o crime. Segundo seu depoimento, o pai já atuava na venda de atestados falsos e, após a morte dele, o esquema foi mantido com o uso de um talonário deixado pelo genitor.

Na residência do investigado, os agentes encontraram diversos carimbos falsos com dados de médicos. Com base nas provas reunidas, a autoridade policial representou pela prisão, que foi decretada e cumprida.

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