Mirelle Pinheiro

Grupo criminoso escravizava paraguaios em fábrica ilegal de cigarros

Os trabalhadores cumpriam jornada exaustiva, dormiam em alojamentos precários e não podiam manter comunicação externa

atualizado

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A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (15/7) uma ofensiva para desarticular um grupo criminoso transnacional que submetia cidadãos paraguaios a trabalho análogo a escravidão.

Investigações apontam que a organização criminosa recrutava os homens por meio de contatos estabelecidos no país vizinho e os trazia ao território nacional para atuarem como mão de obra em uma fábrica clandestina de cigarros instalada no município de Ourinhos (SP).


As diligências apontaram que os cidadãos paraguaios adentravam no Brasil por meio da fronteira do Paraguai com o Paraná, principalmente a partir de Guaíra (PR) e eram conduzidos por integrantes da organização criminosa até o local onde funcionava a operação clandestina.

Durante todo o período de produção, os trabalhadores permaneciam restritos às dependências da fábrica e sem comunicação com o exterior, além de dormir em alojamentos precários, em instalações insalubres, submetidos a exaustivas e ininterruptas jornadas de trabalho.

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Operação

Nesta terça (15), a PF deflagrou a operação Chrysós para reprimir a prática dos crimes de redução à condição análoga à escravos, descaminho, crimes contra as relações de consumo, crimes contra registro de marca, fabricação de substância nociva à saúde, promoção de migração ilegal e tráfico de pessoas para fim de trabalho forçado, todos delitos executados por organização criminosa transnacional.

A ação mobilizou o efetivo de cerca de 50 policiais federais, além de servidores do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho, no cumprimento de mandados expedidos pela 1ª Vara Federal de Guaíra/PR.

O objetivo era cumprir sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de ordem de sequestro de bens no valor de R$ 20 milhões.

O nome da operação faz alusão ao município onde a organização criminosa instalou a fábrica clandestina de cigarros, sendo que “Chrysós”, em grego, significa “ouro”.

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