Mirelle Pinheiro

Carros elétricos de luxo eram comprados com dinheiro desviado do Pros

Segundo a denúncia do MPE, Eurípedes Júnior, ex-presidente do Pros, teria tido ajuda de sua esposa para “lavar” o dinheiro desviado

atualizado

metropoles.com

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Euripedes Junior (1)
1 de 1 Euripedes Junior (1) - Foto: Reprodução

O esquema de corrupção no antigo Partido Republicano da Ordem Social (Pros), revelado pela Operação Fundo do Poço, não se limitava a financiar campanhas fraudulentas, mas também bancava uma vida de luxo para seus líderes, incluindo a compra de carros elétricos de alto padrão. A denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE) detalha como o ex-presidente do partido, Eurípedes Gomes de Macedo Júnior, e sua esposa, Ariele de Oliveira Coimbra Macedo, teriam utilizado dinheiro público desviado para adquirir veículos sofisticados.

Segundo a investigação, o casal operava um “conjunto de empresas de fachada para ocultação de patrimônio desviado”. Uma dessas empresas, a GFAX assessoria consultoria e gestão LTDA, era a responsável por “lavar” o dinheiro e dar aparência de legalidade às compras. A GFAX, que tinha Ariele como uma das sócias, era abastecida com recursos desviados do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

A denúncia aponta uma transação específica que exemplifica o modus operandi do grupo. Em 9 de maio de 2022, Ariele Macedo recebeu R 2.140,00 do próprio Eurípedes. No mesmo dia, foi registrado um débito de R$ 31.940,00 destinado à BRN distribuídora de veículos, razão social da concessionária JAC Motors.

O Ministério Público classifica a transação como “aproveitamento direto de produto de origem delituosa”. Com os recursos da GFAX, Ariele adquiriu dois carros elétricos para seu uso particular:

• Um I/JAC E-J7, modelo 2022/2023, avaliado em mais de R$ 250 mil.
• Um I/JAC E-JS1, modelo 2022/2023, avaliado em mais de R$ 170 mil.

Para efetuar a compra, a empresa de fachada GFAX transferiu, em agosto e setembro de 2022, um total de R$ 106.900,00 para a concessionária. Segundo a denúncia, essa operação era uma clara tentativa de “blindagem patrimonial e ocultação da propriedade real dos bens adquiridos com recursos públicos desviados”.

Além dos veículos de luxo, a investigação identificou outros bens, como imóveis e automóveis, registrados em nome das empresas ligadas a Ariele e Eurípedes, sempre com o objetivo de dissimular a origem ilícita do dinheiro.

A compra dos carros elétricos com verba partidária é citada diversas vezes na acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa contra o núcleo familiar de Eurípedes. O caso ilustra, segundo os promotores, como os recursos que deveriam financiar a atividade política e democrática eram, na prática, desviados para sustentar um estilo de vida incompatível com os rendimentos declarados dos envolvidos, lesando os cofres públicos e a confiança no sistema partidário.

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