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Mirelle Pinheiro

“Gorda”: mulher é indiciada por vazar ataques em grupo de corrida

As mensagens vazadas mostram comentários classificados como machistas, gordofóbicos e ofensivos à condição física de atletas amadores

atualizado

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Pernas de mulher correndo no asfalto - Metrópoles
1 de 1 Pernas de mulher correndo no asfalto - Metrópoles - Foto: Getty Images

A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito que apura o vazamento de conversas privadas de um grupo de corrida em Fortaleza e indiciou uma empresária de 35 anos pelos crimes de invasão de dispositivo informático, divulgação de segredo e difamação qualificada.

O caso ganhou repercussão pública em julho do ano passado, após a circulação de um PDF contendo mensagens consideradas ofensivas e preconceituosas.

A investigação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) e finalizada na quarta-feira (25/2). O processo tramita sob segredo de Justiça.

Segundo a Polícia, o material divulgado na internet foi rastreado até um endereço eletrônico vinculado à investigada. As apurações apontam indícios de que ela teria obtido indevidamente as conversas privadas, organizado o conteúdo e promovido ampla disseminação do arquivo, o que resultou na exposição pública dos integrantes do grupo e de terceiros.

Conteúdo ofensivo

As mensagens vazadas mostram comentários classificados como machistas, gordofóbicos e ofensivos à condição física de atletas amadores que participavam da assessoria esportiva.

Em um dos trechos, integrantes do grupo afirmam: “Se a gorda se movimentar a partir das 20h o alarme toca”.

Também há ataques direcionados a um homem com gagueira, como “Mas ele transfere a gagueira pro WhatsApp” e “Fala igual um pedreiro”.

O relatório policial descreve o conteúdo como composto por “fofocas, comentários maldosos e desrespeitosos, inclusive com fotos e áudios”, que atingiram diversas pessoas, tanto mulheres quanto homens, principalmente em relação à aparência física e ao desempenho atlético.

Como o caso começou

As conversas expostas datam de dezembro de 2024 a junho de 2025 e envolvem quatro pessoas: o proprietário de uma das principais assessorias de corrida da cidade, uma triatleta amadora e dois médicos, os três últimos alunos da assessoria.

Após o vazamento, os membros do grupo registraram Boletim de Ocorrência informando que não autorizaram a exportação ou o compartilhamento das mensagens, levantando suspeita de acesso indevido às comunicações privadas.

Com base nos elementos colhidos durante a investigação técnica, a Polícia Civil formalizou o indiciamento da empresária. O caso agora segue para análise do Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia.

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