Garimpo lucrou milhões usando documentos falsos e empresas de fachada
Investigação da PF aponta uso de PLGs falsas, empresas de fachada e leilões da ANM em esquema milionário em Macapá (AP)

Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) falsas, arremates de leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM), simulações de beneficiamento de minério, além de inúmeras empresas de fachada. O grupo criminoso, suspeito de operar um garimpo legal com movimentações milionárias, alvo da Polícia Federal (PF) nessa quinta-feira (18/6), mantinha um complexo esquema de dissimulação de lastro dos minérios.
A investigação comprovou que, em Macapá (AP), o esquema coordenado pela organização criminosa incluía diferentes mecanismos que possibilitaram a movimentação de mais de R$ 200 milhões.
A coluna apurou que, no topo da pirâmide, está um homem foragido que se vale também de diferentes artimanhas para despistar a polícia. Com três nomes diferentes, ele se apresenta como Jaime Hoffelder, Luiz Paulo Mallmann ou Benjamim Pereira Leite.
A PF aponta o criminoso como o responsável por financiar a extração ilegal de cassiterita, articular o “esquentamento” do minério e operar a rede de empresas de fachada.
A engrenagem criminosa
Jaime seria o responsável por financiar os garimpeiros, coordenar o “esquentamento” do minério e, posteriormente, comercializá-lo com aparência de legalidade. Além disso, também teria a função de lavar dinheiro por meio de laranjas e empresas de fachada.
A companheira dele, identificada como Monique dos Santos Silva, também é alvo da investigação. Segundo as apurações, ela seria uma “laranja” consciente do esquema e proprietária da empresa de fachada Pryhry, que teria sido utilizada com frequência para movimentar e lavar recursos de Jaime. O casal está foragido.
Outro alvo é Marcelo Rica, sócio da fundição de metais não ferrosos Tratho. Ele é apontado como responsável pela compra final da cassiterita extraída ilegalmente e pela comercialização do minério já beneficiado.
Marcelo Rica foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (18/6), e um veículo Porsche registrado em seu nome também foi apreendido.
Já Edegar dos Santos Ribeiro é apontado como contador das principais empresas utilizadas por Jaime para movimentar recursos ilícitos e emitir notas fiscais frias.
Ronaldo Carlos Maia e Fernando Magno, por sua vez, seriam responsáveis por empresas envolvidas no beneficiamento do minério ilegal enviado pelas empresas de fachada ligadas a Jaime.
Operações
Nessa quinta-feira (18/6), a PF deflagrou duas operações que integram a primeira fase da Operação Trono de Ferro, iniciada em 19 de fevereiro deste ano. Na ocasião, foram cumpridos 36 mandados, resultando na prisão de seis pessoas e no bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores.
Segundo a PF, as medidas cautelares visam interromper as atividades criminosas, aprofundar a coleta de provas e identificar outros envolvidos no esquema.
Além da prisão de seis pessoas, a operação determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões, elevando para mais de R$ 650 milhões o total de bens e valores indisponibilizados no âmbito da investigação.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, lavagem de dinheiro, falsidade documental e outros delitos correlatos.




