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Mirelle Pinheiro

Garimpo lucrou milhões usando documentos falsos e empresas de fachada

Investigação da PF aponta uso de PLGs falsas, empresas de fachada e leilões da ANM em esquema milionário em Macapá (AP)

19/06/2026 04:20
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Arte/Metrópoles
Garimpo lucrou milhões usando documentos falsos e empresas de fachada

Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs) falsas, arremates de leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM), simulações de beneficiamento de minério, além de inúmeras empresas de fachada. O grupo criminoso, suspeito de operar um garimpo legal com movimentações milionárias, alvo da Polícia Federal (PF) nessa quinta-feira (18/6), mantinha um complexo esquema de dissimulação de lastro dos minérios.

A investigação comprovou que, em Macapá (AP), o esquema coordenado pela organização criminosa incluía diferentes mecanismos que possibilitaram a movimentação de mais de R$ 200 milhões.

A coluna apurou que, no topo da pirâmide, está um homem foragido que se vale também de diferentes artimanhas para despistar a polícia. Com três nomes diferentes, ele se apresenta como Jaime Hoffelder, Luiz Paulo Mallmann ou Benjamim Pereira Leite.

A PF aponta o criminoso como o responsável por financiar a extração ilegal de cassiterita, articular o “esquentamento” do minério e operar a rede de empresas de fachada.

A engrenagem criminosa

Jaime seria o responsável por financiar os garimpeiros, coordenar o “esquentamento” do minério e, posteriormente, comercializá-lo com aparência de legalidade. Além disso, também teria a função de lavar dinheiro por meio de laranjas e empresas de fachada.

A companheira dele, identificada como Monique dos Santos Silva, também é alvo da investigação. Segundo as apurações, ela seria uma “laranja” consciente do esquema e proprietária da empresa de fachada Pryhry, que teria sido utilizada com frequência para movimentar e lavar recursos de Jaime. O casal está foragido.

Outro alvo é Marcelo Rica, sócio da fundição de metais não ferrosos Tratho. Ele é apontado como responsável pela compra final da cassiterita extraída ilegalmente e pela comercialização do minério já beneficiado.

Marcelo Rica foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (18/6), e um veículo Porsche registrado em seu nome também foi apreendido.

Já Edegar dos Santos Ribeiro é apontado como contador das principais empresas utilizadas por Jaime para movimentar recursos ilícitos e emitir notas fiscais frias.

Ronaldo Carlos Maia e Fernando Magno, por sua vez, seriam responsáveis por empresas envolvidas no beneficiamento do minério ilegal enviado pelas empresas de fachada ligadas a Jaime.

Operações

Nessa quinta-feira (18/6), a PF deflagrou duas operações que integram a primeira fase da Operação Trono de Ferro, iniciada em 19 de fevereiro deste ano. Na ocasião, foram cumpridos 36 mandados, resultando na prisão de seis pessoas e no bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores.

Segundo a PF, as medidas cautelares visam interromper as atividades criminosas, aprofundar a coleta de provas e identificar outros envolvidos no esquema.

Além da prisão de seis pessoas, a operação determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões, elevando para mais de R$ 650 milhões o total de bens e valores indisponibilizados no âmbito da investigação.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, lavagem de dinheiro, falsidade documental e outros delitos correlatos.