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Mirelle Pinheiro

FirstMile: como funciona o software espião usado na Abin Paralela

A ferramenta permite o monitoramento de até 10 mil celulares a cada 12 meses, bastando digitar o número da pessoa

Mirelle Pinheiro17/06/2025 09:51, atualizado 17/06/2025 09:52
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Imagem ilustrativa sobre espionagem
Imagem ilustrativa sobre espionagem

O programa usado por indiciados pela Polícia Federal (PF), no âmbito do caso que ficou amplamente conhecido como “Abin Paralela” é o FirstMile. O software foi empregado ilegalmente para espionar celulares de autoridades. O grupo teria se instalado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A ferramenta permite o monitoramento de até 10 mil celulares a cada 12 meses, bastando digitar o número da pessoa. Além disso, a aplicação cria históricos de deslocamento e alertas em tempo real da movimentação dos aparelhos cadastrados.

FirstMile

De acordo com as investigações, o sistema de geolocalização usado pela Abin é um software intrusivo na infraestrutura crítica de telefonia brasileira. A rede de telefonia teria sido invadida diversas vezes com a utilização do serviço adquirido com recursos públicos.

A ação é uma continuação das investigações da Operação Última Milha, deflagrada em 20 de outubro de 2023. As provas obtidas a partir das diligências executadas pela Polícia Federal à época indicam que o grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços daquela agência de inteligência para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático, para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal.

Os investigados respondem pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.