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Mirelle Pinheiro

Fariseus: família é alvo da polícia por usar igreja para apoiar o CV.

A atividade missionária desenvolvida em presídios era utilizada para manter contato com presos do CV e transmitir recados

16/07/2026 08:44, atualizado 16/07/2026 08:46
PCMT/Divulgação
Fariseus: família é alvo da polícia por usar igreja para apoiar o CV

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16/7), a Operação Fariseus para investigar uma família suspeita de usar um projeto religioso para dar apoio ao Comando Vermelho (CV).

Segundo as investigações, os integrantes do grupo aproveitavam o acesso a presídios por meio da atividade missionária para manter contato com presos da facção, transmitir recados, aproximar familiares de criminosos, movimentar dinheiro e prestar suporte logístico à organização criminosa.

Durante a operação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados, bem como proibiu temporariamente que eles ingressem em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

A investigação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

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O caso começou após uma denúncia anônima informar que integrantes da família estariam utilizando um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e entregar celulares, carregadores e outros objetos proibidos a líderes do CV.

De acordo com as investigações, o grupo mantinha comunicação frequente com presos e foragidos, repassava mensagens entre criminosos presos e pessoas em liberdade e intermediava contatos entre lideranças da facção e familiares.

Outro eixo da investigação aponta um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Conforme a Polícia Civil, integrantes da família recebiam valores atribuídos ao Comando Vermelho e utilizavam contas bancárias de parentes e terceiros para fracionar depósitos, realizar sucessivos repasses e ocultar a origem dos recursos.

Os investigadores também encontraram indícios de que parte desse dinheiro foi utilizada para custear viagens, comprar veículos e pagar procedimentos estéticos.

As apurações apontam ainda que membros da família viajaram diversas vezes ao Rio de Janeiro e frequentaram uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho.

Segundo a polícia, foram encontrados vídeos e fotos dos investigados ao lado de criminosos foragidos e homens armados com fuzis, pistolas, revólveres e rádios comunicadores. Também há registros de crianças portando armas e de investigados manuseando armamentos.

Os investigadores identificaram ainda videochamadas entre mulheres ligadas ao projeto religioso e lideranças da facção. Em um dos registros, um criminoso foragido conversa por vídeo enquanto um comparsa aparece efetuando disparos de fuzil em uma comunidade.

A Polícia Civil também encontrou conversas em que uma das investigadas solicita a aplicação de um “salve” contra um homem acusado de furto.

No vocabulário das facções criminosas, a expressão é usada para determinar punições contra pessoas que descumprem regras impostas pela organização.

Além disso, os policiais investigam diálogos sobre a negociação de uma arma de fogo que estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família.

A jovem presa preventivamente é apontada como responsável por utilizar a estrutura familiar e o projeto religioso para facilitar a comunicação e prestar apoio operacional a integrantes do Comando Vermelho presos e foragidos.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos, analisar o material apreendido e individualizar a responsabilidade de cada integrante do grupo.