Mirelle Pinheiro

Ex-subsecretário chama advogado da vítima de estupro de “vagabundo”

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro manteve a prisão dos acusados de participar do estupro coletivo

atualizado

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Ex-subsecretário chama advogado da vítima de estupro de “vagabundo”
1 de 1 Ex-subsecretário chama advogado da vítima de estupro de “vagabundo” - Foto: Reprodução

O advogado da adolescente de 17 anos vítima de estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, divulgou nas redes sociais uma mensagem ofensiva que teria recebido do pai de um dos acusados pelo crime.

Segundo publicação feita pelo advogado Rodrigo Mondego, o autor da mensagem seria José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário de Governança do governo do Rio e pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos réus no caso.

No print divulgado, José Carlos teria escrito: “Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar as suas contas. Vagabundo”.

Em resposta, o advogado afirmou: “Caro ex-subsecretário, vagabundo não sou, sou sim advogado e trabalho bastante. Inclusive para que o vagabundo do seu filho continue enjaulado, respondendo na Justiça pelo estupro que lhe é imputado. Cada um ocupa o lugar que escolheu, eu ao lado da vítima, e o senhor, passando a mão na cabeça de estuprador. A Justiça seguirá fazendo o resto”.

Prisões mantidas pela Justiça

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro manteve a prisão dos acusados de participar do estupro coletivo.

Na sexta-feira (6/3), passaram por audiência de custódia Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos. A Justiça decidiu manter os dois presos.

No dia anterior, também tiveram as prisões mantidas Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos.

Os quatro foram encaminhados para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da capital. A unidade funciona como porta de entrada do sistema penitenciário fluminense.

Todos respondem pelos crimes de estupro com agravante pela vítima ser menor de idade e cárcere privado.

Investigação

Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, os investigados permaneceram em silêncio durante os primeiros depoimentos e devem se manifestar apenas em juízo.

Os celulares dos suspeitos não foram encontrados, e a polícia pretende solicitar à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos investigados.

Há ainda um adolescente investigado por participação no crime. Ele se apresentou na 54ª Delegacia de Polícia após a Justiça autorizar mandado de busca e apreensão.

Exoneração no governo

Após a repercussão do caso, o governador Cláudio Castro determinou a exoneração de José Carlos Costa Simonin do cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa.

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, a medida foi tomada no âmbito administrativo para preservar a integridade institucional enquanto as investigações seguem em andamento.

O que diz o inquérito

De acordo com a investigação da 12ª Delegacia de Polícia, o crime teria ocorrido na noite de 31 de janeiro em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana.

Segundo o depoimento da vítima, ela foi convidada por um adolescente, seu ex-namorado, para ir ao local. No apartamento, outros jovens teriam entrado no quarto e iniciado as agressões.

A adolescente relatou que sofreu violência física e foi obrigada a manter relações sexuais com os envolvidos. Ela também afirmou ter sido impedida de deixar o quarto durante o ataque.

O exame de corpo de delito identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo escoriações e sangramento na região genital. Materiais biológicos foram coletados para exames de DNA.

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