
Mirelle PinheiroColunas

EUA: brasileiros tinham tropa de advogados fakes em fraude milionária. Veja vídeo
Para enganar uma brasileira, um suspeito se passou por advogado e citou formulários e leis que não existiam com o intuito de convencê-la
atualizado
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Os brasileiros investigados por comandar o que pode ser a maior fraude imigratória já registrada nos Estados Unidos (EUA) usavam diferentes artimanhas para lucrar milhões explorando imigrantes em busca de regularização no país.
Os suspeitos que integravam o grupo, identificado como Legacy Imigra, se passavam por advogados e ofereciam diversos serviços às vítimas, cobrando taxas exorbitantes.
Em uma propaganda publicada na plataforma, uma das quatro pessoas presas nessa quarta-feira (22/4), Juliana Colucci, afirma que o grupo busca realizar sonhos.
“O principal objetivo hoje da Legacy é falar de igual para igual, falar com o cliente como se estivesse tomando um café na sala da sua casa ou até mesmo aqui no escritório, e que você possa compreender que não existem palavras difíceis para chegar ao objetivo do seu sonho.”
No entanto, apesar do marketing, de acordo com o gabinete do xerife do Condado de Orange, o grupo operava com base em manipulação, mentiras e pressão psicológica sobre clientes em situação de vulnerabilidade.
Por meio de uma empresa que se apresentava como uma agência completa de serviços de imigração, a organização lucrava explorando o medo de deportação e a falta de informação das vítimas. A promessa era auxiliar imigrantes em processos de regularização e pedidos de asilo nos Estados Unidos, mas o resultado era diferente.
Green card e asilo
Os falsos advogados chegaram a tentar vender asilo e green card a uma vítima, também brasileira.
A negociação, feita por ligação, foi gravada. Na conversa, o golpista cita números de formulários e leis que não existem para tentar convencer a brasileira a fechar negócio.
Lucro milionário
A polícia afirma que os suspeitos acumularam fortuna enquanto grande parte dos clientes não teve qualquer avanço nos processos migratórios. Muitos, segundo as autoridades, sequer se aproximaram da possibilidade de regularizar a situação no país.
Investigações apontam que o grupo movimentou mais de US$ 20 milhões. Até o momento, sete vítimas formalizaram denúncias, com prejuízos que variam entre US$ 2,5 mil e US$ 26 mil. No entanto, os investigadores acreditam que o número real de afetados pode ser muito maior.
Nessa quarta-feira (22/4), quatro pessoas foram presas: Vagner Soares de Almeida, apontado como líder da organização; a esposa dele, Juliana Colucci; Ronaldo Decampos; e Lucas Felipe Trindade Silva. Eles são acusados de associação criminosa, fraude organizada, extorsão e exercício ilegal da advocacia.
A operação que levou às prisões foi realizada pelo escritório do xerife, pela agência de Investigações de Segurança Interna (HSI) e pela Procuradoria-Geral da Flórida. As autoridades agora tentam mapear a extensão completa do esquema e identificar outras possíveis vítimas.
