Escola do DF barra alunos de entrar com garrafas no dia mais seco do ano
Nessa segunda-feira (28/9), os termômetros registraram 35,5 ºC, enquanto a umidade ficou em apenas 14%

Um bilhete enviado na agenda de estudantes da Fundação Bradesco, em Ceilândia (DF), provocou indignação entre os responsáveis, que procuraram a coluna para denunciar o caso. Na última sexta-feira (25/9), o aviso informou que, a partir dessa segunda (28), seria proibida a entrada de garrafas na escola e que os alunos deveriam usar o bebedouro da instituição. A medida entrou em vigor no dia mais seco do ano, quando a umidade ficou em 14% e os termômetros registraram 35,5 ºC, a temperatura mais alta para um mês de setembro na história da capital.
“Para garantir a organização, a segurança dos estudantes e o bom andamento da rotina escolar, informamos que, a partir de segunda (28/9), não será permitida a entrada nem a permanência de garrafinhas ou copos de uso individual nas dependências da escola. A hidratação dos estudantes deverá ser realizada exclusivamente nos bebedouros disponibilizados pela unidade escolar”, dizia o bilhete.
À coluna, os responsáveis, que preferiram não se identificar por medo de represálias, contaram que foram até a escola para tentar descobrir o que teria motivado a decisão. Contudo, segundo eles, nenhuma razão foi apresentada, tendo os gestores se resumido a dizer que a decisão partiu da sede, localizada em São Paulo (SP).
“Insalubre”
Uma mãe relatou que considera a medida insalubre, mas que a resposta da gestão é sempre a mesma e os pais acabam tendo receio de ser incisivos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro“A Fundação Bradesco é uma instituição privada onde os alunos estudam de forma gratuita, a gente não tem gasto com nada e, por isso, muitas mães têm medo de que reclamar venha gerar um prejuízo para os nossos filhos, como a perda da vaga.”
De acordo com os responsáveis, os bebedouros à disposição dos alunos não são ideais para a ingestão de água, sobretudo no caso das crianças.
“O bebedouro é aquele que tem torneiras. Já vi alunos lavando os braços, o rosto. A gente sabe que as crianças menores não têm noção de contaminação, de risco, elas vão botar a boca, depois o outro vai pôr também. Então, assim, este é insalubre.”
Os pais também afirmam que a água disponibilizada nos bebedouros não é gelada. Segundo uma das responsáveis, que tem uma filha com problemas de cálculo renal, a preocupação é que, com isso, os alunos reduzam a ingestão de água em dias de calor.
Ao ser questionada pelos pais, a Fundação teria dito que os professores liberariam os estudantes para ir ao bebedouro durante as aulas, mas isso causou ainda mais preocupação. “São 40 alunos na sala, ou seja, um sai, outro entra. Como vai ficar a dinâmica das aulas? Porque toda hora vai ter um aluno levantando e saindo.”
Uma das responsáveis afirmou que mesmo que a escola não permita garrafas térmicas, os alunos deveriam poder entrar na instituição com recipientes transparentes.
A mãe afirmou ainda ter ouvido relatos de que estudantes mais velhos estariam levando bebidas alcoólicas para a escola dentro das garrafas, mas declarou acreditar que a conduta de alguns não deveria resultar na restrição para todos.
A coluna procurou a assessoria de imprensa da Fundação Bradesco. O espaço segue aberto.





