Entenda como agia a “líder da grilagem” presa em operação do MP no DF
Articuladora do esquema, a mulher coagia moradores que questionavam suas ações ilegais, movendo ações de cobranças fraudulentas

Ameaças e cobranças ilegais eram alguns dos pilares do sofisticado esquema de grilagem de terras e crimes ambientais articulados por Edelsa Jose Toledo Barbalho (foto em destaque), presidente da associação de moradores do Condomínio Vale dos Ipês, situado na região do Paranoá, no Distrito Federal.
Conforme a coluna apurou, a mulher liderou o esquema milionário, atuando como se fosse proprietária da área, embora todo o terreno pertencesse à Terracap, empresa pública responsável pela gestão de terras no DF.
Na prática, Edelsa coordenava o parcelamento ilegal do solo, vendia lotes a terceiros e controlava a ocupação da região. Além da venda irregular, a líder também é investigada por coagir moradores que contestavam suas ações.
Um dos métodos consistia em ajuizar ações de cobrança fraudulentas, que terminavam em leilão dos lotes. Assim, os terrenos eram retomados e revendidos pelo grupo, sempre induzindo a Justiça ao erro.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroEdelsa também teria utilizado documentos falsos para tentar barrar ordens de desocupação já expedidas em ações civis públicas, além de descumprir determinações judiciais de órgãos ambientais.
A suspeita foi presa preventivamente nesta terça-feira (2/9), durante a operação deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
Para dar aparência de legalidade ao esquema, a presidente da associação chegou a montar uma fábrica de bloquetes dentro do próprio condomínio, usada em obras de infraestrutura. Com isso, conseguia atrair compradores e reduzir a desconfiança sobre a origem dos terrenos.
O MP aponta que a atuação da líder feria não apenas a legislação ambiental, mas também o ordenamento urbano do DF.
A ação
Batizada de Vale dos Ipês, a ação desta terça contou com o apoio da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema/PCDF). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em endereços ligados à presidente da associação e a outros investigados.
A Justiça já havia determinado a desocupação de toda a área do condomínio, medida que permanece válida.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica e parcelamento ilegal do solo, sem prejuízo das infrações ambientais que ainda serão apuradas.















