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Mirelle Pinheiro

Entenda a investigação da PF sobre a fraude bilionária nas Americanas

Entre os alvos das medidas cumpridas nesta quinta estão Paulo Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira

25/06/2026 09:42
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto
A Polícia Federal realiza operação de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira

A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira (25/6), marca um novo capítulo da investigação da Polícia Federal sobre a fraude contábil que provocou um rombo estimado em R$ 24 bilhões nas Americanas e deu origem a um dos maiores escândalos corporativos da história do mercado financeiro brasileiro.

Nesta etapa, a PF ampliou o foco das apurações. Além de ex-diretores da varejista, passaram a ser investigados acionistas de referência da companhia, representantes e funcionários de alguns dos principais bancos privados do país, além de outros ex-funcionários da empresa.

Entre os alvos das medidas cumpridas nesta quinta-feira estão Paulo Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann, e Carlos Alberto Sicupira.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça Federal também autorizou o sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões, montante calculado com base na estimativa das supostas fraudes apontadas nos laudos técnicos periciais produzidos durante a investigação.

Segundo a investigação, as supostas irregularidades teriam sido praticadas ao longo de vários anos com o objetivo de ocultar a real situação econômico-financeira da companhia e apresentar ao mercado uma condição financeira mais favorável do que a existente.

As apurações concentram-se em dois principais eixos. O primeiro envolve operações de risco sacado, modalidade em que instituições financeiras antecipam pagamentos a fornecedores. A Polícia Federal investiga se parte dessas operações foi contabilizada de forma inadequada, reduzindo artificialmente a percepção sobre o endividamento da empresa.

O segundo eixo diz respeito às chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC). Segundo os investigadores, parte dos valores registrados nessa rubrica corresponderia a incentivos comerciais sem lastro econômico efetivo, o que teria contribuído para inflar artificialmente receitas e melhorar os resultados apresentados nos balanços financeiros.

De acordo com a Polícia Federal, essas práticas permitiram que demonstrações contábeis apresentassem uma situação incompatível com a realidade da companhia, influenciando a percepção de investidores, instituições financeiras e do mercado sobre a saúde financeira da empresa.

A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em junho de 2024 e permitiu o aprofundamento das linhas investigativas que fundamentaram as medidas cumpridas nesta quinta-feira. Nesta nova etapa, os investigadores buscam ampliar a coleta de provas, individualizar a responsabilidade de cada investigado e preservar a possibilidade de reparação dos prejuízos eventualmente causados pelas supostas irregularidades.

Os investigados são suspeitos, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A Polícia Federal ressalta que as investigações continuam e que outros delitos poderão ser identificados à medida que a análise das provas avançar.

Os investigados não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamentos.