Mirelle Pinheiro

“Elimina a velha”: grupo violento que sequestrou empresários é preso

Segundo a PCRS, as investigações revelam que a rede atua de forma estruturada, sendo que o líder comanda as ações de dentro da cadeia

atualizado

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Operação PCRS
1 de 1 Operação PCRS - Foto: DCS/PCRS

Uma operação policial da Polícia Civil do estado do Rio Grande do Sul (PCRS) mirou, na manhã desta quinta-feira (7/8), uma organização criminosa especializada em extorsão mediante sequestro. Em março deste ano, o grupo manteve em cativeiro um casal de empresários da região metropolitana de Porto Alegre (RS), tendo cobrado R$ 1 milhão para libertar as vítimas.

O caso ocorreu em março deste ano. As vítimas, de 68 e 69 anos, donas de um supermercado, foram surpreendidas na residência em que moravam por criminosos armados. Em seguida, ambos foram levados para um cativeiro, em Santo Antônio da Patrulha.

Segundo a polícia, o crime foi meticulosamente planejado e executado por uma organização que demonstrou alto grau de sofisticação operacional, utilizando desde informações privilegiadas, obtidas por funcionários infiltrados, até equipamentos de comunicação dentro do sistema prisional.

O sequestro revelou uma complexa estrutura da organização criminosa, que operava tanto dentro quanto fora do sistema penitenciário. As investigações apontaram que um preso exercia papel de liderança no grupo, coordenando as ações criminosas através de aparelhos celulares.

O homem mantinha contato direto com os executores do crime, orientando desde o planejamento até a execução do sequestro.

Ao longo das investigações, os policiais constataram que a organização criminosa havia se preparado durante semanas, tendo tentado por duas vezes, sem sucesso, sequestrar o casal.

Nas conversas interceptadas pela polícia, ficou constatado que os criminosos chegaram a detalhar métodos de tortura que utilizariam caso as vítimas não colaborassem, incluindo ameaças de mutilação.

Em uma das gravações, um dos integrantes sugere “arrancar o dedo” da vítima para forçar a abertura de um cofre.Outro, que já possuía passagens por homicídio e outros crimes, chegou a sugerir “eliminar a velha” em referência à vítima, propondo “cavar uma cova” para se desfazer do corpo, corroborando que estavam dispostos a matá-las, se fosse necessário.

Participação de funcionária

Ao longo das investigações, foi revelado que uma funcionária do supermercado das vítimas, ficou responsável por fornecer informações sobre sua rotina, chegando a fotografá-la, momentos antes do arrebatamento.

As imagens do sistema de monitoramento do estabelecimento comercial captaram o exato momento em que a funcionária registrava a saída da vítima, transmitindo essas informações aos sequestradores, possibilitando, minutos depois, o arrebatamento.

Durante o período em que as vítimas permaneceram em cativeiro, os criminosos demonstraram extrema frieza e organização, ameaçando-as com arma de fogo a todo tempo e coagindo seus familiares a realizar pagamento, sob pena de executá-las.

Na ocasião dos fatos, após a atuação da 1ª DR/Deic, em apoio da Brigada Militar, quatro pessoas foram presas em flagrante delito pelo crime de extorsão mediante sequestro. Na sequência da detenção, as vítimas foram liberadas e deixadas em uma área rural da RS 030, em Santo Antônio da Patrulha.

Rede estruturada

Com o aprofundamento das investigações, foi possível identificar mais 13 criminosos envolvidos no sequestro. Além disso, o líder do grupo, de dentro do sistema prisional, objetivava realizar mais 10 sequestros.

Segundo a delegada Isadora Galian, à frente das investigações, foi possível identificar que os próximos alvos dos criminosos seriam um médico e uma “influencer”, sendo encontrados, inclusive, materiais detlhados sobre as suas rotinas.

“As identidades de ambos não serão divulgadas e eles serão oportunamente intimados para tomar ciência dos fatos”, informou a delegada. A polícia civil declarou que o grupo criminoso também demonstrou capacidade de adaptação e planejamento logístico sofisticado, já que dispunham de veículos clonados, uniformes falsificados da Polícia Civil, equipamentos de comunicação como giroflex, além de armas de fogo.

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Ação

Até a publicação desta reportagem, haviam sido cumpridas, por agentes da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão a Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (1ªDR/Deic), 27 ordens judiciais, sendo 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão.

A ação foi deflagrada nas cidades de Porto Alegre, Gravataí, Viamão, Santo Antônio, São Jerônimo e Charqueadas. Cinco pessoas foram presas.

“A operação de hoje visa, não apenas prender os responsáveis pelo sequestro do casal de idosos, mas também desarticular toda a estrutura da organização criminosa, impedindo a prática de novos crimes e garantindo que os responsáveis respondam pela gravidade de seus atos”, explicou o Diretor do Deic, delegado João Paulo de Abreu.

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