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Mirelle Pinheiro

Delação coloca Beto Sicupira no centro das investigações sobre fraude na Americanas

Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-executivo afirmou que Sicupira tinha conhecimento das irregularidades investigada

26/06/2026 03:44
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Matheus Veloso/Metrópoles @mvelosofoto
Lojas Americanas do Setor Comercial Sul em Brasília

A colaboração premiada do ex-diretor financeiro da Americanas Fábio Abrate é um dos elementos que ajudam a explicar por que o empresário Carlos Alberto Sicupira passou a figurar entre os alvos da nova fase da investigação da Polícia Federal (PF) sobre a fraude contábil na varejista. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-executivo afirmou que Sicupira estava entre as pessoas que, na sua avaliação, tinham conhecimento das irregularidades investigadas.

A segunda fase da Operação Disclosure foi deflagrada nessa quinta-feira (25/6), com nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Além de Sicupira, a investigação também alcança Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração da Americanas, o ex-conselheiro Eduardo Saggioro, além de executivos e ex-executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander.

Na colaboração premiada, Abrate descreveu a relação entre o então diretor-presidente Miguel Gutierrez, apontado pela investigação como principal responsável pelas fraudes, e integrantes do alto comando da companhia. Segundo ele, Gutierrez mantinha contato permanente com a ex-diretora Anna Saicali e também com Sicupira.

Ao responder perguntas sobre quem teria conhecimento das decisões tomadas pela antiga diretoria, Abrate afirmou que Gutierrez e Saicali “sabiam de tudo” e, em seguida, incluiu Sicupira entre as pessoas que, segundo sua percepção, também tinham conhecimento das irregularidades.

Apesar das declarações do ex-diretor financeiro, o Ministério Público Federal não denunciou Sicupira quando apresentou, em março de 2025, a ação penal contra 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas.

Na ocasião, o MPF sustentou que o conselho de administração e os acionistas de referência haviam sido induzidos a erro pela antiga diretoria da empresa.

Agora, com o avanço das investigações, a Polícia Federal busca esclarecer se integrantes do grupo controlador e outros investigados tinham conhecimento das supostas manipulações contábeis relacionadas às operações de risco sacado e às verbas de propaganda cooperada (VPC), mecanismos que, segundo a investigação, foram utilizados para ocultar a real situação financeira da companhia.