Delação coloca Beto Sicupira no centro das investigações sobre fraude na Americanas
Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-executivo afirmou que Sicupira tinha conhecimento das irregularidades investigada

A colaboração premiada do ex-diretor financeiro da Americanas Fábio Abrate é um dos elementos que ajudam a explicar por que o empresário Carlos Alberto Sicupira passou a figurar entre os alvos da nova fase da investigação da Polícia Federal (PF) sobre a fraude contábil na varejista. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o ex-executivo afirmou que Sicupira estava entre as pessoas que, na sua avaliação, tinham conhecimento das irregularidades investigadas.
A segunda fase da Operação Disclosure foi deflagrada nessa quinta-feira (25/6), com nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Além de Sicupira, a investigação também alcança Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração da Americanas, o ex-conselheiro Eduardo Saggioro, além de executivos e ex-executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander.
Na colaboração premiada, Abrate descreveu a relação entre o então diretor-presidente Miguel Gutierrez, apontado pela investigação como principal responsável pelas fraudes, e integrantes do alto comando da companhia. Segundo ele, Gutierrez mantinha contato permanente com a ex-diretora Anna Saicali e também com Sicupira.
Ao responder perguntas sobre quem teria conhecimento das decisões tomadas pela antiga diretoria, Abrate afirmou que Gutierrez e Saicali “sabiam de tudo” e, em seguida, incluiu Sicupira entre as pessoas que, segundo sua percepção, também tinham conhecimento das irregularidades.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroApesar das declarações do ex-diretor financeiro, o Ministério Público Federal não denunciou Sicupira quando apresentou, em março de 2025, a ação penal contra 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas.
Na ocasião, o MPF sustentou que o conselho de administração e os acionistas de referência haviam sido induzidos a erro pela antiga diretoria da empresa.
Agora, com o avanço das investigações, a Polícia Federal busca esclarecer se integrantes do grupo controlador e outros investigados tinham conhecimento das supostas manipulações contábeis relacionadas às operações de risco sacado e às verbas de propaganda cooperada (VPC), mecanismos que, segundo a investigação, foram utilizados para ocultar a real situação financeira da companhia.





