
Mirelle PinheiroColunas

De chefe da Abin a preso nos EUA: veja como foi a queda de Ramagem
Ex-diretor da agência de inteligência, delegado da PF e deputado federal, Ramagem foi preso nessa segunda-feira (14/4), nos EUA
atualizado
Compartilhar notícia

Preso nessa segunda-feira (14/4) pelos agentes do Serviço de Imigração e Controle (ICE) de Aduanas por questões migratórias, Alexandre Ramagem já foi delegado da Polícia Federal, chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), além de deputado pelo PL, condenado por tentativa de golpe de Estado, foragido e agora detido em território internacional.
Delegado da Polícia Federal (PF) do Brasil desde 2005, Ramagem ganhou destaque após atuar na investigação do atentado a faca contra o então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG).
Com a eleição de Bolsonaro, Ramagem foi nomeado diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), cargo que ocupou entre julho de 2019 e março de 2022. Durante a sua gestão, no entanto, se tornou alvo de investigações no caso que ficou conhecido como “Abin Paralela”, que apura o uso da estrutura da agência para monitoramento ilegal de adversários políticos.
Em 2020, Bolsonaro tentou indicá-lo para o comando da Polícia Federal, mas a nomeação foi suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que apontou possível interferência política na corporação, devido à proximidade pessoal de Ramagem com a família do ex-presidente.
Em 2022, Ramagem foi eleito deputado federal pelo PL, com cerca de 59 mil votos. Dois anos depois, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em segundo lugar, com aproximadamente 30% dos votos, atrás de Eduardo Paes, reeleito na ocasião.
No ano passado, foi condenado pelo STF no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Ramagem foi sentenciado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Com a decisão, ele perdeu o cargo de delegado da Polícia Federal em dezembro de 2025 e teve o mandato parlamentar cassado pela Câmara dos Deputados.
Antes da conclusão do julgamento, Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025. Ele atravessou a fronteira por Roraima, entrou na Guiana por via terrestre e, posteriormente, seguiu de avião para os Estados Unidos.
Desde então, é considerado foragido da Justiça brasileira. A prisão ocorreu nesta segunda-feira, em território norte-americano, por questões migratórias.
