
Mirelle PinheiroColunas

Criança gravou ameaças de pai e madrasta para mãe enviar à polícia. Veja vídeo
Crianças eram privadas de comida e punidas por pedir para visitar a mãe biológica
atualizado
Compartilhar notícia

A coluna teve acesso a alguns dos áudios em que Aline Fonseca de Castilho (foto em destaque), de 40 anos, ameaça as três crianças torturadas durante anos em Campinas (SP).
Nas gravações, registradas às escondidas pela vítima mais velha, na tentativa de reunir provas para que a mãe encaminhasse ao Conselho Tutelar, Aline aparece em ligação com Marcelo e afirma que não aguenta mais as crianças pedindo comida.
“Eu queria saber de onde vem tanta fome dessas crianças. Eu dei três bolachas de coco, daquelas rosquinhas, para cada um. Agora ele olhou para mim: ‘Eu estou com fome’. Que fome é essa?”, diz Aline. Do outro lado da linha, Marcelo orienta que ela dê uma porrada quando eles pedirem.
Em outro momento, a madrasta afirma que passaria a colocar os meninos para dormir mais cedo para que não sentissem fome. “Seu pai mandou eu dar um chute na cara de vocês toda vez que me pedirem comida. Por que vocês me pedem comida? Eu não suporto mais. Olha para minha cara, acha que eu tenho cara de comida?”, gritou.
A baixa qualidade do áudio se deve ao fato de que a criança realizava as ligações pelo Skype, muitas vezes de locais diferentes, para que a mãe pudesse passar o dia ouvindo. Aline falava ao telefone no viva-voz, o que também comprometeu a nitidez da gravação.
As inúmeras gravações de voz e os vídeos feitos pela criança mais velha foram anexados à denúncia e culminaram na condenação dos envolvidos.
A sentença
Conforme consta no mandado de prisão registrado no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a sentença contra Aline foi proferida em 13 de dezembro de 2024.
Segundo os autos, os crimes foram cometidos diariamente, ao longo de quatro anos, entre julho de 2017 e julho de 2021. Dois anos antes disso, as vítimas já viviam uma rotina de terror sob os cuidados de Marcelo.
Impedidos de ver a mãe
Além de serem espancadas e agredidas psicologicamente, as crianças eram impedidas de visitar a mãe nos dias estabelecidos.
À coluna uma fonte próxima à família, que preferiu não se identificar por medo de represálias, relatou que a mulher teve os filhos levados após ser internada em decorrência de um grave acidente automobilístico e, mesmo depois de se recuperar, foi impedida de retomar a guarda das crianças.
Conforme consta nas denúncias do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o filho mais velho relatou aos investigadores que o pai e a madrasta impediam os encontros com a mãe biológica, xingando-a na frente das vítimas. Ao tentarem defendê-la, as crianças eram punidas com agressões físicas e psicológicas.
Como forma de tentar escapar do cenário de terror, o menino mais velho passou a gravar os episódios de tortura e a enviar o material à mãe, que encaminhava o conteúdo ao Conselho Tutelar e à polícia.
Enquanto isso, nas redes sociais, Aline passou a se apresentar publicamente como “mãe exemplar de uma criança autista” — referindo-se a uma das três vítimas, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 3 de suporte —, publicando imagens que simulavam uma família feliz.
A encenação levou vizinhos e familiares a acreditar que as crianças viviam em um lar estruturado, o que ajudou a lançar dúvidas sobre as denúncias feitas pela mãe biológica.






