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Mirelle Pinheiro

RJ: investigado por assédio, coronel dos bombeiros ameaça testemunhas

Segundo o MPRJ, em junho deste ano, o coronel usou o número de outra pessoa para enviar mensagens a testemunhas da investigação

05/08/2026 14:46, atualizado 05/08/2026 15:00
Divulgação/CBMRJ
RJ: investigado por assédio, coronel dos bombeiros ameaça testemunhas

O coronel do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro Lauro César Botto Maia, investigado por assédio sexual, foi denunciado pela 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, nessa terça-feira (4/8), por ameaçar quatro sargentos da corporação que atuam como testemunhas na investigação.

Na denúncia, o Ministério Público do RJ também requereu a decretação da prisão preventiva do coronel. O pedido de prisão será analisado pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar, que recebeu a denúncia nesta quarta-feira (5/8).

As ameaças

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), em 29 de junho deste ano, o coronel enviou mensagens por WhatsApp a quatro testemunhas utilizando um número registrado em nome de outra pessoa.

Nas conversas, ele se identificou como “Marcos João” e fez referências ao procedimento investigatório, aos depoimentos já prestados e às circunstâncias dos fatos apurados, demonstrando conhecimento do conteúdo da investigação e, segundo a denúncia, tentando influenciar os relatos das militares.

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Ainda de acordo com o MPRJ, o oficial afirmou que as destinatárias estariam sendo usadas por terceiros, sugeriu que reavaliassem suas posições e disse que ainda haveria tempo para “reparar o dano” causado.

O coronel também fez referências a familiares das militares, circunstância que, segundo a Promotoria, provocou temor e intimidação. Para o MPRJ, o caráter intimidatório das mensagens é agravado pela relação hierárquica entre o denunciado, coronel da corporação, e as testemunhas, todas militares recém-ingressas na carreira.

Denúncia por assédio sexual

As ameaças estão relacionadas à denúncia por assédio sexual apresentada em julho deste ano pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ. Na ação penal, o coronel é acusado de enviar, entre o fim de 2024 e julho de 2025, mensagens com conteúdo considerado inadequado a uma subordinada, com o objetivo de obter vantagem ou favorecimento sexual.

A pedido do GAESP, a Justiça Militar determinou medidas cautelares contra o oficial, entre elas a suspensão do porte de arma de fogo, a proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas, a proibição de ingressar no quartel do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros e a vedação de fazer referências públicas às pessoas envolvidas no caso.