Mirelle Pinheiro

Como funcionava milícia digital de R$ 25 milhões ligada a Dr. Furlan. Veja vídeo

Até o momento, a operação resultou na apreensão de R$ 65 mil em espécie, quatro armas de fogo e diversos veículos. Duas pessoas foram presas

atualizado

metropoles.com

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Dr. Furlan
1 de 1 Dr. Furlan - Foto: Reprodução

A coluna apurou detalhes do funcionamento da suposta milícia digital abastecida com mais de R$ 25 milhões em contratos da Prefeitura de Macapá e que, segundo a Polícia Federal (PF), atuava para promover politicamente o ex-prefeito Dr. Furlan (PSD), atacar adversários e espalhar desinformação nas redes sociais.


A estrutura é alvo da Operação Palanque Digital, deflagrada nesta terça-feira (26/5), com 35 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Canela (RS).

Entre os alvos estão políticos como o próprio Dr. Furlan, influenciadores, jornalistas, ex-secretários municipais, como Juarez Menescal, preso em flagrante na ação desta terça com arma de fogo, empresários da comunicação e donos de agência de publicidade.

Segundo a PF, o grupo operava de forma organizada, com divisão de tarefas, fluxo financeiro definido e setores específicos para produção de conteúdo político e ataques digitais.

No topo da estrutura estaria um “núcleo estratégico”, responsável por definir narrativas, selecionar adversários, decidir campanhas de promoção política e orientar ataques virtuais. A PF aponta que a liderança política determinava o direcionamento dos contratos de publicidade e acompanhava os resultados das campanhas nas redes.

Abaixo desse núcleo apareciam contratos da Secretaria Municipal de Comunicação de Macapá, agências de publicidade e empresas de comunicação que, segundo a investigação, serviriam como canais para distribuir recursos públicos ao esquema.

Os investigadores afirmam que o dinheiro da comunicação institucional da Prefeitura era desviado da finalidade oficial e usado para abastecer influenciadores digitais, páginas em redes sociais, blogs, rádios, portais de notícias e perfis considerados artificiais ou falsos.

A PF aponta ainda que a estrutura produzia conteúdos coordenados para impulsionar a imagem de aliados políticos e atacar opositores.

Segundo os investigadores, havia reuniões presenciais e online para alinhar quais conteúdos seriam publicados, contra quem os ataques seriam direcionados e como seria a estratégia de disseminação.

A investigação também identificou uso de inteligência artificial e deepfakes para criar vídeos, imagens e áudios manipulados. De acordo com a PF, conteúdos falsos e ataques com teor homofóbico também foram disseminados pela rede.

Os investigadores afirmam que o esquema utilizava impulsionamento pago e publicações simultâneas em diferentes páginas para ampliar artificialmente o alcance das mensagens.

A rede, segundo a PF, atuava há pelo menos quatro anos.

Histórico

O ex-prefeito Dr. Furlan voltou ao centro das investigações federais após já ter sido alvo de outras operações da PF.

Em setembro de 2025, a Operação Paroxismo apurou suspeitas de fraude em licitação e desvios ligados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, em um contrato estimado em R$ 69,3 milhões.

Já em março deste ano, a segunda fase da mesma operação levou ao afastamento de servidores por decisão do STF. No dia seguinte à ofensiva, Dr. Furlan renunciou ao cargo de prefeito e anunciou pré-candidatura ao governo do Amapá.

Agora, a PF apura se parte da máquina pública municipal foi usada para financiar uma estrutura digital clandestina voltada à autopromoção política e manipulação do debate público nas redes sociais.

Até o momento, a operação resultou na apreensão de R$ 65 mil em espécie, quatro armas de fogo e diversos veículos. Duas pessoas foram presas.

Os investigados podem responder por crimes eleitorais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, abuso de poder econômico, desinformação eleitoral e crimes contra a administração pública.

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