
Mirelle PinheiroColunas

Com acesso aos Três Poderes, CV movimentou R$ 9 milhões por ano
Servidores lotados em diferentes esferas do poder atuavam de maneira paralela para auxiliar o Comando Vermelho no cometimento de crimes
atualizado
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A Polícia Civil do Amazonas estima que o Comando Vermelho (CV) tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018, com a ajuda de um “núcleo político” infiltrado nos Três Poderes.
As investigações revelaram que a facção contava com a colaboração de servidores públicos lotados em diferentes esferas do poder, incluindo o Tribunal de Justiça do Amazonas, a Assembleia Legislativa e a Polícia Militar.
Eles foram identificados como:
- Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas.
- Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior.
- Bruno Renato Gatinho Araújo.
- Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas.
- Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar.
- Osimar Vieira Nascimento, policial militar; e Ronilson Xisto Jordão.
Eles seriam responsáveis por facilitar acessos, intermediar interesses, proteger integrantes do grupo e, em alguns casos, tentar obter informações sobre investigações em andamento.
O grupo foi alvo de uma operação deflagrada nesta sexta-feira (20/2), com mandados de prisão e busca cumpridos em seis estados. Até o último balanço, 14 pessoas haviam sido presas.
Apreensão revelou o esquema
As investigações foram iniciadas após a apreensão de cerca de 500 tabletes de skunk, sete fuzis, embarcações e veículos usados no transporte da droga. A partir do episódio, os investigadores reconstruíram a cadeia de comando da facção.
O esquema funcionava com divisão de tarefas. Havia operadores logísticos, responsáveis pelo transporte. Financiadores, que bancavam as cargas. E colaboradores que atuavam dentro do poder público.
Empresas de fachada, principalmente nos ramos de transporte, locação e logística, eram usadas para dar aparência legal às operações. Segundo a polícia, os dados financeiros dessas empresas não condizem com a capacidade econômica declarada.
As drogas eram adquiridas na região de fronteira com a Colômbia, levadas ao Amazonas e, depois, redistribuídas para outros estados. Veículos alugados em nome de terceiros e embarcações sem vínculo direto com os líderes eram usados para dificultar o rastreamento.
Além do tráfico, a investigação aponta indícios de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.
A Polícia Civil afirma que a identificação do núcleo político revela um nível elevado de sofisticação da facção, que não se limitava à atuação armada, mas buscava proteção institucional para sustentar o esquema.
Os presos devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.













