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Mirelle Pinheiro

Clube e pousada são alvos da PCERJ por lavar R$ 11 milhões do CV.

Um dos investigados teria movimentado R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, embora não possuísse atividade empresarial formal

04/08/2026 07:04, atualizado 04/08/2026 07:28
PCERJ/Divulgação
Clube e pousada são alvos da PCERJ por lavar R$ 11 milhões do CV

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta terça-feira (4/8), a Operação Quimera, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas que teria movimentado mais de R$ 11 milhões por meio de um clube recreativo na Zona Norte da capital e de uma pousada em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. O grupo é ligado ao Comando Vermelho (CV).

A ação é conduzida por agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). Mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em Búzios. A Justiça também foi acionada para bloquear contas bancárias, bens, veículos, participações societárias e autorizar a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após dirigentes de um clube denunciarem que estavam sendo ameaçados para entregar o controle da entidade a pessoas ligadas ao Comando Vermelho.

Além de assumir a administração do espaço, o grupo criminoso teria exigido o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o clube continuasse funcionando.

Com o avanço das investigações, os policiais identificaram um segundo clube recreativo, apontado como o principal alvo da operação. Conforme a apuração, pessoas ligadas à organização criminosa passaram a controlar informalmente a administração do local, comandando eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo oficial com a instituição.

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As diligências também revelaram a atuação de um núcleo familiar responsável por administrar o fluxo financeiro investigado. De acordo com a Polícia Civil, um dos alvos seria o principal operador financeiro do esquema, enquanto outros integrantes da família movimentaram milhões de reais em poucos meses, apesar de não apresentarem renda compatível.

Um dos investigados teria movimentado R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, embora não possuísse atividade empresarial formal. Outra investigada, que declarou renda mensal de cerca de R$ 3,2 mil como recepcionista, movimentou aproximadamente R$ 2,2 milhões no mesmo período. Ela ainda recebeu cerca de R$ 253 mil em transferências de outro investigado.

A Polícia Civil também identificou um suspeito com cerca de 20 registros policiais, muitos relacionados a roubos de carga, que realizou aproximadamente 40 transferências via Pix, totalizando R$ 240 mil.

Outro foco da investigação é uma pousada em Armação dos Búzios. Apesar de possuir apenas 16 quartos e cinco funcionários, o estabelecimento movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses.

Segundo a investigação, também foram registrados mais de 600 depósitos em dinheiro, que somaram aproximadamente R$ 955 mil, movimentação considerada incompatível com o porte do empreendimento.

Os Relatórios de Inteligência Financeira analisados pelos investigadores apontam uma intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, por meio de depósitos em espécie, transferências bancárias e operações fracionadas via Pix, características que, segundo a Polícia Civil, são compatíveis com estratégias de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

A Operação Quimera integra a Operação Contenção, ofensiva do Governo do Estado voltada ao combate ao avanço territorial do Comando Vermelho.