
Mirelle PinheiroColunas

Choro e solidão: como foi a 1ª noite de Anderson Torres na Papudinha
Torres comandou a segurança nacional e ocupou alguns dos cargos mais estratégicos do governo Bolsonaro
atualizado
Compartilhar notícia

A noite caiu pesada sobre Anderson Torres. Minutos depois de ser preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), nessa terça-feira (25/11), o ex-ministro da Justiça desabou.
Chorou ao chegar à “Papudinha”, o prédio da Polícia Militar que funciona como anexo do Complexo Penitenciário da Papuda, onde passará os próximos anos.
Torres, que comandou a segurança nacional e ocupou alguns dos cargos mais estratégicos do governo Bolsonaro, passou a madrugada sozinho, e silencioso, na sala onde cumprirá a pena de 24 anos de prisão pela participação na trama golpista que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
A sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da PMDF é espaçosa, tem banheiro privativo, ventilação constante, cama simples e televisão liberada.
O espaço em que Torres está preso é o mesmo destinado a militares aguardando julgamento, policiais investigados e civis com prerrogativa especial, como ministros, advogados e autoridades que não podem dividir cela com presos comuns.
À distância de poucos metros, ficam os prédios principais da Papuda, onde milhares de internos cumprem pena em regime fechado.
Torres terá direito a visitas, médico, apoio espiritual e uma pista de caminhada exclusiva.
Na noite de terça, Torres chegou ao batalhão cabisbaixo. Estava calado, abatido. Foi conduzido ao alojamento especial, passou pelo procedimento padrão, entregou os pertences e recebeu o kit básico de higiene.
Logo em seguida, perguntou pela família. Já na manhã desta quarta-feira (26/11), ele recebeu um simples café da manhã com pão e café.
Do topo do poder à Papudinha
A queda de Anderson Torres é abrupta. Dos oito réus cujas penas se tornaram definitivas no STF nesta semana, apenas ele foi enviado imediatamente para cumprir prisão na Papudinha.
Torres foi o homem que, como ministro da Justiça, chefiou a estrutura nacional de segurança. Assumiu a Secretaria de Segurança do DF dias antes dos atos golpistas de 8 de janeiro e, segundo a PF, atuou em dois núcleos essenciais da tentativa de ruptura:
- o núcleo de desinformação, que alimentou com material falso as campanhas contra as urnas eletrônicas;
- o núcleo jurídico, responsável por rascunhar a arquitetura “legal” do golpe, incluindo a famosa minuta que previa decretar “Estado de Defesa” no Tribunal Superior Eleitoral.
A PF afirma que Torres atuou nos bastidores desde 2019, participando de reuniões, lives e planejamentos que visavam criar um ambiente de descrença no sistema eleitoral.
Ele aparece em encontros com ministros militares, em grupos de WhatsApp que discutiam estratégias de tensão institucional e, até mesmo, no planejamento da manutenção dos acampamentos nos quartéis.
