Mirelle Pinheiro

Chefe da Polícia Civil do Rio, Curi nega pretensão política: “Aversão”

Em entrevista à coluna, Felipe Curi desmentiu boatos sobre interesse na carreira política e reafirmou seu compromisso com a segurança

atualizado

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Felipe Curi
1 de 1 Felipe Curi - Foto: Reprodução/Web

Com a prisão de 113 suspeitos e a morte de 121 pessoas, a Megaoperação Contenção, deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, nó último 28 de outubro, mobilizou autoridades da segurança pública e provocou uma série de coletivas de imprensa com a presença do secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), Felipe Curi. As aparições, marcadas por explicações técnicas e balanços operacionais, geraram comentários e interpretações sobre o protagonismo do titular da pasta.

Em entrevista à coluna, Curi comentou os boatos de que estaria planejando iniciar uma carreira política no estado e negou as afirmações.

“É uma grande mentira. Trata-se de especulação. Quem diz isso está tentando politizar a operação. Como politizar uma ação que resulta de uma investigação que durou mais de um ano?”, questionou.

O secretário destacou que sua trajetória na Polícia Civil é baseada em trabalho técnico. “Minha carreira é técnica e nunca deixará de ser. Meu padrinho sempre foi o meu trabalho. Sempre fui convidado para os cargos por conta dele, e isso sempre pautou a minha atuação.”

Curi disse ainda ter aversão à política e que evita qualquer envolvimento com esse cenário.

“A favela tem voz própria”

Na entrevista, o secretário também comentou os resultados da operação e afirmou que os moradores das comunidades estão satisfeitos com os desdobramentos da ação policial.

“Cerca de 90% dos moradores das comunidades, pessoas de bem que vivem sob a lei do silêncio, aprovaram a operação. O maior vitorioso nessa ação policial é o morador da favela.”

Segundo Curi, os moradores da comunidade tiveram espaço para se manifestar após a megaoperação. “A favela tem voz própria. Nós passamos anos ouvindo os moradores por meio de terceiros (ONGs, especialistas, representantes). Agora, eles gritaram e conseguiram ser ouvidos. Eles cansaram de ser representados por pessoas que nunca tiveram autorização para falar por eles.”

“Quem rotula como chacina não sabe o que fala”

Desde o dia da operação, quando o número de mortos começou a subir e a ação se consolidou como a mais letal da história do Rio, diversos grupos passaram a classificar a operação como “chacina” ou “massacre”. Curi rebateu as acusações.

“Quem tenta rotular como chacina ou massacre não sabe o que fala. Chacina é morte ilegal e aleatória. Nós estávamos cumprindo ordens judiciais. Quem não reagiu foi preso; quem atentou contra os policiais foi neutralizado.”

O secretário também defendeu o trabalho das forças de segurança. “Quem rotulou a megaoperação de massacre foi contra a honra dos 2,5 mil policiais que participaram e, mais ainda, contra a honra dos quatro policiais mortos e dos feridos”, finalizou.

A Operação Contenção

Conforme apontado pelo secretário, a Operação Contenção, que é uma política pública do governo do RJ, não é uma ação policial de fase única. Na verdade, ela teve sua primeira fase deflagrada em abril deste ano.

Desde o início, a operação resultou na prisão de mais de 500 pessoas, na apreensão de mais de 400 armas e milhares de munições e no bloqueio de R$ 6 bilhões em recursos ligados ao Comando Vermelho (CV).

Curi reforçou que o objetivo é asfixiar financeiramente a facção, prender integrantes e conter a política expansionista do grupo criminoso.

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Os corpos foram expostos em uma praça
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