
Mirelle PinheiroColunas

CDC: “Peste” usa poderio e opera máquina de crimes de dentro da prisão
Apuração da coluna revela que, condenado por organização criminosa, o homem continuou liderando ações do Comboio do Cão de dentro da cadeia
atualizado
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Investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), revelam que um dos líderes e fundadores da facção criminosa Comboio do Cão (CDC), Rogério Rodrigues do Nascimento, conhecido pelo codinome de “Peste”, continuou a comandar, por anos, a estrutura criminosa de dentro da prisão.
As diligências apontam que, ao menos desde 30 de maio de 2021 até o presente momento, “Peste” promoveu e integrou, pessoalmente, as atuações da facção criminosa.
Uma investigação minuciosa do MPDFT constatou que a facção permanece em plena atividade, atuando sistematicamente para garantir a impunidade de seus membros e a continuidade de suas operações ilícitas e violentas.
Nos últimos anos, a principal estratégia do CDC para superar as barreiras do sistema prisional foi a de cooptar profissionais da advocacia para servirem como longa manus — ou executores de ordem — de seus líderes encarcerados.
O criminoso está no topo da estrutura. Nos últimos anos, mesmo encarcerado, ele emitia ordens e comandava as ações do grupo. Para a execução de suas determinações, contava com um braço jurídico montado cuidadosamente para promover ações criminosas em favor da facção.
O advogado Marcos Gerson do Nascimento e a sua estagiária Lyslielle Ruane Martins Gomes foram escalados para, usando de suas prerrogativas profissionais, atuar como mensageiros e operadores da facção.
A comprovação de tal estrutura e do modus operandi da organização se deu a partir de medidas cautelares, como interceptação de mensagens e ligações, busca e apreensão e outras diligências investigativas, que reforçaram o panorama de provas e permitiram a identificação clara do papel desempenhado por cada integrante na manutenção das atividades do grupo criminoso.
A investigação do MPDFT revelou que, mesmo já condenado pelo crime de formação de organização criminosa, “Peste” jamais deixou de exercer a sua função de liderança do Comboio do Cão. Contando, inclusive, com o auxílio de familiares.
De dentro da cadeia, o homem continuou a comandar a facção, dando ordens para intimidar testemunhas, planejando a morte de desafetos e articulando atividades ilícitas do grupo.
O CDC
O Comboio do Cão, também conhecido como “CDC” ou pela sigla numérica “343”, foi constituído por detentos do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, em associação com delinquentes em atividade nas ruas, entre os anos de 2007 a 2013, a partir de vínculos recíprocos de lealdade e com o deliberado propósito de proteção comum e domínio de território, objetivando o incremento dos lucros advindos das atividades ilícitas praticadas.
Inicialmente, as atividades criminosas se concentraram nas Regiões Administrativas do Riacho Fundo I e II, mas expandiram progressivamente para o Gama, Santa Maria, Ceilândia e Taguatinga. Atualmente, exercem influência em todo o território do Distrito Federal.
A notoriedade do grupo criminoso se estabeleceu com a prática de homicídios qualificados de seus desafetos, de testemunhas ou de rivais na disputa territorial pelo controle da atividade criminosa, além de delitos patrimoniais, porte e revenda de armas de uso restrito, rufianismo, tráfico de entorpecentes, entre outros.
As informações levantadas junto à Divisão de Inteligência da SEAPE apontam o CDC como uma facção criminosa que atua de maneira similar às outras organizações criminosas de atuação nacional, como o Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os dados de inteligência da SESIPE indicam o fortalecimento do CDC, com uma lista de aproximadamente 120 membros recolhidos no sistema prisional, atualmente.
