Carta revela reação de bet após pedido para suspender Jogo do Aviãozinho
Na carta obtida pela reportagem, a empresa reconhece que o Aviator pode ser encontrado em plataformas clandestinas

A Spribe, dona do Aviator, conhecido como Jogo do Aviãozinho, procurou quase 20 casas de apostas autorizadas a funcionar no Brasil em meio à possibilidade de seu principal produto ser suspenso do mercado regulado. A empresa enviou uma carta às operadoras neste mês na qual tenta obter apoio do setor contra a retirada do game das plataformas “bet.br”.
A movimentação ocorre enquanto o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) investiga como o Aviator foi parar em sites de apostas que operam ilegalmente no país. A apuração, revelada em primeira mão pela coluna, identificou o jogo em 21 plataformas não autorizadas pelo governo federal.
A Spribe não é uma bet licenciada no Brasil. A companhia fornece jogos para casas de apostas, inclusive operadores que possuem autorização para atuar no mercado brasileiro.
Na carta obtida pela reportagem, a empresa reconhece que o Aviator pode ser encontrado em plataformas clandestinas. Ao mesmo tempo, sustenta que suspender o game apenas nas casas legalizadas não acabaria com a procura dos apostadores e poderia direcionar consumidores para o mercado irregular.
Para tentar convencer as operadoras a se posicionarem contra a medida, a Spribe afirma que a retirada do Aviator das plataformas autorizadas poderia entregar aos sites clandestinos um “poderoso monopólio” sobre o produto.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroO documento, porém, não apresenta medidas adotadas pela empresa para interromper a disponibilização do Aviator nos sites ilegais identificados no Brasil.
MPDFT
A presença do Aviator no mercado irregular está justamente no centro da investigação conduzida pelo MPDFT. Os promotores apuram a cadeia de fornecimento do jogo e buscam esclarecer de que forma o produto chegou às 21 plataformas identificadas, inclusive se houve disponibilização direta pela Spribe.
Diante dos indícios levantados, o Ministério Público recomendou ao Ministério da Fazenda a suspensão da certificação dos jogos da companhia até que a fornecedora demonstre ter interrompido o acesso de operadores não autorizados aos seus produtos.
O MPDFT chegou a solicitar a “suspensão total da Spribe/Aviator, inclusive nas empresas ‘bet.br’”.
O caso também é analisado pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Até o momento, o governo federal não respondeu à recomendação do Ministério Público. Os ministérios da Fazenda e da Justiça analisam o assunto.





