BMW e celular apreendido levam PF a tráfico de R$ 187 milhões.
Abordagem a carro revelou esquema complexo de importação de cocaína da Bolívia e do Peru para o Brasil

A investigação que levou à Operação Bifronte, deflagrada nesta quarta-feira (14/10), começou após a abordagem a uma BMW de luxo avaliada em mais de R$ 800 mil. O celular do motorista, Rodrigo Bueno, que já era investigado por falsidade ideológica e uso de documentos falsos, revelou uma estrutura complexa de tráfico internacional de drogas, responsável pela importação de grandes carregamentos de cocaína da Bolívia e do Peru para diferentes estados brasileiros. O esquema movimentou cerca de R$ 187 milhões.
Bueno foi abordado enquanto conduzia uma BMW X6 M Competition. Na ocasião, ele teria apresentado documentos em nome de outra pessoa para ocultar sua identidade, já que havia um mandado de prisão em aberto contra ele em razão de uma condenação por latrocínio.
A análise do celular apreendido revelou conversas, imagens e contatos que levaram os investigadores a suspeitar de atividades mais amplas, como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
As apurações identificaram uma organização com divisão de tarefas, liderança definida, logística de transporte, operadores financeiros e uso de empresas e laranjas para ocultar a propriedade de veículos, imóveis e dinheiro. Rodrigo Bueno é apontado como líder do esquema.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroA investigação atribui a ele negociações com fornecedores estrangeiros, coordenação de cargas, definição de pagamentos e orientação de outros integrantes.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo não seria formado apenas por traficantes e motoristas, mas por uma estrutura organizada, com funções especializadas.
Os integrantes seriam responsáveis pela contratação de fretes, pela disponibilização de veículos, pela movimentação das cargas e pela entrega nos destinos.
O transporte seria feito principalmente por via aérea na região de fronteira e por rodovias dentro do Brasil.
A operação
A operação foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Minas Gerais (Ficco-MG) na manhã desta quarta-feira (14/10).
A ação policial resultou no cumprimento de 46 mandados judiciais nos estados de Minas Gerais (MG), Rio Grande do Norte (RN), Goiás (GO), Santa Catarina (SC) e São Paulo (SP). São 23 mandados de prisão, 20 de busca e apreensão e três de recolhimento domiciliar com monitoramento eletrônico.
Também foram determinadas duas difusões vermelhas pela Interpol e a transferência de dois dos principais investigados para o sistema penitenciário federal.
As medidas incluem o sequestro de patrimônio de até R$ 187 milhões, envolvendo 69 pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de 11 imóveis e de uma aeronave.
Os investigados poderão responder, conforme suas respectivas participações, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.












