Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

"Banco do Pastor” é alvo da PCERJ por golpe de R$ 1,1 milhão no Rio

Uma operação foi deflagrada na manhã desta terça (18\8). As investigações apontaram que o líder de uma igreja evangélica operava os golpes

18/08/2026 06:59, atualizado 18/08/2026 07:00
Material cedido ao Metrópoles
“Banco do Pastor” é alvo da PCERJ por golpe de R$ 1,1 milhão no Rio

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, na manhã desta terça-feira (18/8), a Operação Golpe de Fé, para desarticular uma organização criminosa especializada em aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um falso banco digital vinculado a uma igreja evangélica.

Policiais civis da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes do esquema, que prometia rendimentos de até 10% ao mês e teria causado prejuízo superior a R$ 1 milhão.

As investigações apontaram que o líder de uma igreja evangélica, que inicialmente funcionava em São Gonçalo e atualmente está instalada em Niterói, utilizava a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança de fiéis e de outras pessoas de sua rede de influência.

De acordo com a Polícia Civil, ele convencia as vítimas a investir em uma plataforma operada por uma empresa conhecida entre os investidores como “Banco do Pastor”, sob a promessa de rendimentos de aproximadamente 10% ao mês sobre os valores aplicados.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro

Após a captação dos recursos, os rendimentos prometidos deixaram de ser pagos, inicialmente sob diferentes justificativas, até que as restituições foram completamente interrompidas.

Os investigadores identificaram, até o momento, pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao mesmo esquema, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1,11 milhão.

Estrutura complexa

A investigação aponta que a estrutura era mais complexa do que uma simples captação irregular de investimentos. As diligências revelaram a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas entre captadores de clientes, operadores financeiros e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para administrar e movimentar os recursos obtidos das vítimas.

O quadro societário da empresa responsável pelo suposto banco digital virou um ponto de atenção da polícia. O capital social declarado era de R$ 5 milhões, mas alguns dos sócios registrados não apresentavam capacidade financeira compatível com os valores envolvidos.

Segundo os policiais, esse cenário indica a possível utilização de laranjas para ocultar os verdadeiros controladores e beneficiários do negócio.

Os valores captados das vítimas teriam sido direcionados para contas pessoais do principal alvo e para empresas ligadas a ele, incluindo negócios dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e instituição de pagamentos.

As apurações identificaram ainda uma conta de uma instituição de pagamentos que teria funcionado como uma espécie de “conta de passagem” do esquema. Somente nessa conta, foram registradas mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.

A investigação apontou ainda a participação de integrantes do núcleo familiar do principal alvo na estrutura criminosa. A cônjuge e o filho dele figurariam como sócios de empresas utilizadas para movimentar recursos e realizar saques de grandes quantias em espécie.

A operação

As medidas são cumpridas em endereços na capital fluminense, em Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, além da capital paulista, com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).

A PCERJ afirmou que as diligências continuam com o objetivo de aprofundar a apuração das conexões financeiras e patrimoniais entre os investigados, identificar outros possíveis envolvidos e recuperar ativos provenientes das atividades ilícitas.