Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

Bancária obrigada a fazer jejum e oração para bater metas é indenizada

Para a Justiça ficou comprovado que houve violação da liberdade de crença, pressão psicológica desproporcional e um ambiente hostil

20/09/2025 09:28
Compartilhar notícia
Tetra Images/Getty Images
Martelo - Metrópoles

A 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) condenou um banco a indenizar uma funcionária que foi obrigada por sua gerente a participar de orações e jejuns religiosos como estratégia para alcançar metas de produtividade.

Segundo o processo, a superiora marcava reuniões fora do expediente apenas para rezas e chegava a colocar músicas religiosas durante o trabalho, sob o pretexto de “alegrar o ambiente”. Além disso, pressionava os empregados a fazer jejum como forma de melhorar o desempenho.

As cobranças também aconteciam de maneira vexatória em grupos de WhatsApp, onde a gerente fazia um ranking de produtividade que comparava os funcionários, submetendo-os a constrangimento público.

A bancária relatou ainda que foi obrigada a divulgar seus resultados nas redes sociais, sempre marcando os perfis do banco, e que recebeu uma promessa de promoção que jamais se concretizou.

Em primeira instância, a trabalhadora já havia saído vitoriosa. O banco recorreu, mas a decisão foi mantida. Para a relatora, juíza convocada Eneida Martins Pereira de Souza, ficou comprovado que houve violação da liberdade de crença, pressão psicológica desproporcional e um ambiente hostil.

“O ranking de produtividade e as exigências fora do expediente configuraram abuso de poder, causando constrangimento e frustração à trabalhadora”, escreveu.