Após fuga, Angeliquinha do CV chega ao MT para cumprir 260 anos de pena.
A criminosa, que fugiu da prisão em MT no ano passado, foi capturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no dia 22 de setembro deste ano

Líder da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso (MT), Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, foi levada para o estado nessa terça-feira (20/10) para cumprir pena na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, de onde fugiu em 17 de agosto de 2025. Ela foi localizada em 22 de setembro deste ano, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Com mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa, a faccionada estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), para onde foi encaminhada após ser recapturada na Bolívia. A entrada dela na penitenciária em Cuiabá foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
A captura internacional
Após ser capturada pelas autoridades bolivianas, em 22 de setembro, Angeliquinha foi entregue à Polícia Federal brasileira no dia 24 do mesmo mês e encaminhada provisoriamente para a unidade prisional feminina de Corumbá, onde permaneceu aguardando a transferência para Mato Grosso.
Apontada pelas investigações como uma das lideranças do CV, com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e região, Angeliquinha é investigada por envolvimento em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à coordenação de ações criminosas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroRegime Disciplinar Diferenciado
A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada.
A medida foi determinada no âmbito de representação apresentada pela Polícia Civil, relacionada às investigações da Operação Showdown. Conforme a decisão judicial, os elementos reunidos apontam suspeitas de que a investigada teria continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida no exterior.
O regime prevê condições especiais de custódia e restrições previstas na legislação, considerando os fundamentos apresentados no processo e a necessidade de segurança do sistema penitenciário.
Operação Showdown
Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para desarticular o núcleo familiar apontado como responsável por dar suporte às atividades criminosas ligadas à investigada e auxiliar na lavagem de dinheiro.
Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestros de veículos e imóveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoas jurídicas.
As investigações identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Segundo a apuração, empresas e outros negócios teriam sido utilizados para dar aparência lícita a recursos provenientes das atividades criminosas.












