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Mirelle Pinheiro

Advogado aponta falhas em processos que levaram Deolane à prisão.

Em uma série de vídeos intitulada “InPrudente”, Marcos Cebola detalhou supostas irregularidades que podem ter afetado Deolane Bezerra

16/08/2026 18:06
Arte/Metrópoles
Advogado aponta falhas em processos que levaram Deolane à prisão

O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva protocolou uma notícia de fato nas corregedorias do Ministério Público e da Justiça, no Conselho Nacional do MP (CNMP), no CNJ e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pedindo apuração independente dos processos que resultaram na prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra.

O anúncio foi feito após o advogado publicar, em um perfil no Instagram, uma série de 17 vídeos, denominada “InPrudente”, na qual aponta supostas falhas e irregularidades em investigações realizadas entre 2019 e 2023. Deolane foi presa em 21 de maio deste ano, na Operação Vérnix.

No material, Cebola e Silva cita provas encontradas em celas de custodiados após repetidas revistas, sendo algumas delas feitas sem a presença dos detentos; a apreensão de um celular usado como prova em uma acusação antes mesmo de ter sido apreendido e examinado; e o bilhete encontrado no esgoto de uma penitenciária que, segundo documentos da investigação obtidos pela coluna, originou a investigação.

As questões

Em um dos casos, o advogado expõe que um casal teria sido denunciado em 17 de novembro de 2021, tendo como eixo da acusação um celular que teria sido apreendido 21 dias depois, em 8 de dezembro. O dispositivo teria sido oficialmente periciado somente em março de 2022.

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Em outra situação citada por Cebola e Silva, uma apreensão de 6,48 gramas de entorpecentes, em setembro de 2021, teria sido transformada em 6 quilos ao longo do processo. “Quando a Justiça precisou justificar a prisão, a mesma apreensão registrou mais de seis quilos, 1.000 vezes mais, e esse número inflado circulou em mais de um documento, sem que ninguém parasse para conferir o auto original.” A mulher teria sido condenada a nove anos de prisão.

Em mais uma situação, o advogado compilou provas de que folhas de um processo digital haviam desaparecido, mas retornaram ao documento após ele questionar, em audiência, o destino do material.

De acordo com ele, os cinco processos citados na série foram investigados, ao longo de 10 anos, pelas mesmas pessoas — promotor, juízes e coordenador de presídios —, que estariam ligadas pela mesma região e por amizades públicas.

A prisão de Deolane

Ao tratar diretamente sobre o caso de Deolane, o advogado lembra que, entre os cinco casos expostos por ele, o nome de Deolane Bezerra jamais foi citado. Apesar disso, de acordo com ele, a mulher aparece durante uma audiência, em janeiro de 2023, quando o próprio promotor, em interrogatório, cita a advogada e influenciadora.

“No meio do interrogatório à ré o promotor pergunta: ‘e os depósitos para uma advogada de nome Deolane?’ Ela nega, e aí, em plena audiência, diante da negativa, vem uma oferta de delação premiada, que foi recusada.”

De acordo com Cebola e Silva, cinco meses depois, em junho de 2023, nas alegações finais do processo do casal, relacionado ao celular, nasce a frase: “Pagamento em nome de a Deolane Bezerra Santos (advogada)”.

“Esse ‘advogada’ entre parênteses não estava em prova nenhuma, virou do texto. Do texto foi copiado para a sentença e da sentença para a operação que prendeu Deolane, três anos depois.”

De acordo com ele, durante quatro anos de investigações, Deolane nunca foi chamada para dar quaisquer explicações.

“A polícia descreve a tipicidade das condutas atribuídas à Deolane utilizando-se sempre a palavra ‘em tese’; No relatório final, o documento que fundamenta a acusação, a própria polícia descreve que ainda faltam diligências para o encontro e apreensão de dados que reforcem a vinculação ilícita. Eles denunciaram, pediram prisão, e no mesmo documento afirmaram que precisam encontrar a prova para ligar a doutora ao crime.”

Segundo ele, o intuito da notícia de fato e da série, baseada em informações extraídas dos autos dos processos, não é pedir a punição de alguém em específico, mas a apuração independente do caso.

“Se está tudo certo, a apuração confirma e está tudo bem. Se não está, quantas pessoas foram presas por provas que ninguém examinou?”

Os valores e o leilão

Ele afirma que a denúncia que acusou Deolane de lavagem de dinheiro herda tudo o que ele citou antes: as cartas não periciadas e o celular sem dono. Cebola e Silva também destaca que foi divulgado que a advogada movimentou R$ 27 milhões, mas que o valor seria a soma do que entrou e saiu na conta dela, o mesmo valor contados duas vezes.

“Os créditos reais são R$ 13 milhões, e aplicado ao filtro que o próprio laboratório sabe usar, sobra R$ 7,6 milhões. Já a prova concreta contra ela, de depósitos que dá para contar nos dedos, são seis depósitos de R$ 24,5 mil e o bloqueio pedido foi de R$ 27 milhões.”

Nos vídeos, ele ainda destacou que, mesmo que ninguém tenha sido condenado, o estado já pediu que os carros de Deolane sejam leiloados e que dois deles, uma Amarok e um Jeep, sejam destinados ao uso da Polícia Civil em atividades investigativas.