
Mirelle PinheiroColunas

Academia adverte aluno gay que usava short “curto”: “Agradar a Deus”
À coluna, o aluno contou que frequentava o espaço há mais de um ano e nunca foi informado sobre código de vestimenta. A academia emitiu nota
atualizado
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Uma academia localizada em Anápolis, Goiás (GO), se envolveu em uma polêmica após advertir um aluno por causa de suas vestimentas usadas para treinar musculação — uma bermuda supostamente curta (usada na foto em destaque). O caso ocorreu na segunda-feira (30/6) e ganhou repercussão após ser divulgado nas redes sociais.
Em entrevista à coluna, o produtor de eventos Marcus Andrade (foto em destaque) contou que foi abordado no meio do treino por um funcionário. Em sua versão, foi dito a ele que aquele tipo de roupa não poderia ser usado na academia, por ser “um ambiente familiar e ir contra a moral e os bons costumes do estabelecimento.”
“Eles falaram que isso prejudicava a segurança e comodidade dos demais alunos e que era contra as regras e padrões da academia”, detalhou Marcus.
A academia, no entanto, emitiu uma nota sobre o ocorrido. A versão apresentada pelo estabelecimento é diferente da descrita pelo aluno.
A nota inicia dizendo que “mais do que promover saúde física, a academia busca encantar e surpreender cada pessoa que passa ali com excelência, zelo e propósito, sempre para agradar e honrar a Deus.”

“Um de nossos colaboradores realizou uma orientação de forma privada e respeitosa, com o objetivo de evitar possíveis constrangimentos durante o treino. A vestimenta, embora apropriada para corridas ao ar livre, acabou se mostrando inadequada para determinados movimentos de musculação”m escreveu.
Ainda segundo o pronunciamento, foi sugerido que Marcus usasse uma bermuda de compressão por baixo da bermuda, “como forma de garantir maior conforto e segurança para todos os envolvidos.”
Marcus nega. Ele afirma que a sugestão acerca do uso da bermuda jamais foi dada e que as falas foram relacionadas aos “costumes” da academia.
“Em momento algum sugeriram isso. Eles estão dizendo que sugeriram porque estão fomentando na cidade o boato de que eu não tava usando peças íntimas, o que também é mentira”, desabafou.
Marcos alegou que os movimentos executados no treino não possibilitaram a exposição de partes íntimas. “Eu fiz exercícios para costas. Como que um exercício de costas vai me deixar numa posição vulgar para mostrar que fosse minha cueca?”, questionou.
“Infelizmente, essa é uma situação muito constrangedora. Eu nunca imaginei que a academia fosse evangélica e que tivesse essa transferência de ritos e costumes evangélicos para dentro do ambiente comercial”, pontuou Marcus.
A academia afirma que o contrato apresenta cláusulas relacionadas às vestimentas. “A prática segue as diretrizes da empresa quanto ao uso de roupas que assegurem liberdade de movimento sem causar desconforto a terceiros, sempre com base no respeito mútuo, na empatia e na boa convivência.”
“Homofobia”
A situação ganhou repercussão após ser exposta por um amigo de Marcus na rede social X — antigo Twitter.
Na legenda da publicação, o amigo do aluno evidenciou a orientação sexual do amigo, que é gay.
Marcus treina na academia há cerca de seis meses e relatou nunca ter visto abordagem parecida com outros alunos. Segundo eles, a atitude pode ter sido baseada em homofobia.
Na mesma nota publicada em seu perfil, a academia escreveu: “É importante reforçar que a Hope não faz qualquer distinção de gênero, aparência, orientação ou estilo pessoal. Valorizamos cada aluno como único e buscamos oferecer uma experiência de excelência a todos, dentro dos valores e princípios que norteiam nossa atuação.”
A coluna tenta contato com o estabelecimento. Até a mais recente atualização desta reportagem, nenhum retorno havia sido dado.
